terça-feira, 24 de março de 2009

Ciclo de Conferências

No sentido de contribuir para que os seus associados possam compreender melhor os motivos da crise actual, a AIMMAP irá organizar um Ciclo de Conferências dedicado a tal matéria.

Na edição de 19 de Março do jornal “Diário Económico” foi publicado um artigo de opinião da AIMMAP sobre esse assunto.

Publica-se nas linhas subsequentes o referido artigo.

AIMMAP irá promover Ciclo de Conferências
“Compreender a crise, encontrar soluções”

Com o propósito de promover a discussão e a reflexão entre os seus associados a respeito dos problemas que se colocam actualmente à economia portuguesa, a AIMMAP – Associação dos Industriais Metalúrgicos, Metalomecânicos e Afins de Portugal, irá levar a efeito um Ciclo de Conferências com personalidades de referência na sociedade civil portuguesa, sob o tema “Compreender a crise, encontrar soluções”.
Estas Conferências serão realizadas ao longo dos próximos meses e terão lugar na sede da AIMMAP, no Porto.
A primeira sessão será realizada no próximo dia 3 de Abril, a partir das 18 horas, e contará com a presença central de Joaquim Aguiar, uma personalidade de grande relevo na sociedade civil portuguesa, reconhecido unanimemente como uma voz livre, independente e de enorme mérito.
Conforme é sabido, Joaquim Aguiar é administrador e consultor de empresas e um reputado investigador nas áreas da economia e da política. Para além disso, tem vindo a criar uma relação próxima com a AIMMAP, sendo aliás de recordar que interveio de forma brilhante no principal evento organizado por esta associação por ocasião dos festejos do seu 50º aniversário, em 2007.
Considera a Direcção da AIMMAP que Joaquim Aguiar, por todas as suas qualidades, é a figura ideal para protagonizar a sessão de arranque desta iniciativa.
Esta primeira Conferência contará ainda com as participações de José Manuel Mendonça, Presidente do INESC Porto e também ele uma figura de prestígio nos meios académicos e empresariais, e de João Luís de Sousa, Director-Adjunto do jornal Vida Económica.
Sublinha-se que, tanto José Manuel Mendonça como João Luís de Sousa, para além de pessoas de referência nas actividades profissionais que desenvolvem, são duas vozes activas e respeitadas na sociedade civil que sempre têm igualmente manifestado total disponibilidade para participar em iniciativas promovidas pela AIMMAP.
Oportunamente serão divulgadas mais informações a propósito das Conferências subsequentes, desde já se antecipando em qualquer caso que o critério de escolha dos conferencistas será o mesmo que agora presidiu ao convite formulado a Joaquim Aguiar.
Com efeito, o mérito, a competência, a liberdade de pensamento e a independência são seguramente as características fundamentais de todos aqueles que irão colaborar com a AIMMAP nas várias etapas desta iniciativa.
Com este Ciclo de Conferências, sem prejuízo de todo o trabalho que aos mais diversos níveis tem procurado continuar a efectuar no sentido de prestar aos seus associados todas as informações que lhes sejam úteis, a AIMMAP projecta contribuir para que as empresas do sector possam, em conjunto, não só compreender melhor os contornos da crise como também entender com maior eficácia as possíveis soluções para a ultrapassar."

segunda-feira, 9 de março de 2009

As empresas e os despedimentos

O Presidente da Direcção da AIMMAP, em artigo de opinião publicado no dia 6 de Março no jornal “Vida Económica”, regressou a um assunto que tem pontuado inúmeras intervenções públicas da AIMMAP nos últimos tempos, lastimando a forma pouco reflectida com que alguns dirigentes políticos e sindicais têm procurado atacar as empresas portuguesas.

Sendo certo que esta matéria se reveste da maior pertinência, transcreve-se neste blogue o artigo de opinião em causa.


"Demagogias e futilidades

Enquanto Presidente da Direcção da AIMMAP já tive em mais do que uma ocasião a oportunidade de me pronunciar sobre algumas afirmações irresponsáveis, proferidas por dirigentes sindicais, a propósito de despedimentos supostamente desnecessários efectuados por algumas empresas portuguesas, sob o pretexto da situação difícil atravessada pela economia nacional.
Putativamente, conforme foram qualificados pelos autores da acusação, tratar-se-ia de despedimentos “à boleia da crise”.
Como tenho dito, estas alegações não fazem qualquer sentido e traduzem um profundo desconhecimento daquilo que é a realidade das empresas portuguesas.
Começo por sublinhar que uma afirmação dessa natureza está irremediavelmente prejudicada por um vício de raciocínio completamente insanável. É que parece pressupor que apenas as empresas portuguesas têm despedido trabalhadores, quando basta ler os jornais para se concluir que, infelizmente, essa tendência é verdadeiramente universal. Em todo os cantos do globo, há cada vez mais empresas a sentirem-se obrigadas a reduzir os seus quadros de pessoal.
Mas acrescento ainda que, tais afirmações – que sendo generalizadas se transformam em atoardas -, estão igualmente inquinadas por preconceitos lamentáveis.
Ao contrário do que sugerem os mal intencionados, os empresários e gestores portugueses – como quaisquer outros, pelo menos, no continente europeu -, não têm qualquer gosto ou vontade de despedir os seus trabalhadores.
Enquanto empresários, a nossa principal vocação é a de empregar e não a de despedir. Para além disso, temos a consciência de que apenas com colaboradores motivados e leais, poderemos ter condições para dar à volta à crise nas nossas empresas.
A extinção de postos de trabalho será pois para todos nós o último recurso disponível. E tudo queremos fazer no sentido de manter connosco os nossos trabalhadores, os quais, na maioria das vezes, tanto nos empenhámos em formar e qualificar.
Não obstante o exposto, não se queira estigmatizar os empresários que acabam por recorrer aos despedimentos. Se o fazem é porque, como acima enfatizo, não têm outra opção. E em todo o caso, quando o fazem não estão a violar qualquer disposição legal ou sequer ética. Os despedimentos não só estão previstos na lei como podem ser uma inevitabilidade para muitas empresas que querem sobreviver e manter a generalidade dos postos de trabalho.
Não significa isto que, como já o assumi publicamente, não haja “maçãs podres” no nosso seio. Há-as seguramente como em todos os domínios da sociedade. Tal como acontece com os políticos, os advogados, os jornalistas, os sindicalistas ou os trabalhadores, também entre os empresários há os sérios e os menos sérios. Mas conforme sucederá certamente nas restantes áreas, também entre nós, empresários, os menos escrupulosos são seguramente uma minoria.
Pelo que ao invés de se tentar associar todos os empresários e gestores portugueses a práticas menos correctas por parte de uma pequena minoria, renovo o desafio às vozes da má lingua para que por uma vez tentem ser positivos e construtivos.
Estão no direito de apontar o dedo aos que prevaricam – e só a esses. Mas em contrapartida empenhem-se em reconhecer, também publicamente, as boas práticas de muitas empresas portuguesas que diariamente enfrentam as dificuldades que as assoberbam sem recorrerrem a despedimentos colectivos. Todos sabemos que são em muito maior número dos que as “maçãs podres”. E ficaria muito bem reconhecê-lo.
Até porque, quer queiram quer não, sem empresas a nossa economia jamais poderá ser viável.
Infelizmente, a má língua continua a ser uma arma muito mais fácil e é seguramente por isso que vamos continuar a ser ofendidos pela ignorância – ou atrevida ou maldosa.
Por falar em ignorância, lamento constatar que não são só os dirigentes sindicais a enveredar por esse tipo de condutas. Também alguns responsáveis políticos persistem em alhear-se das suas responsabilidades e lançar mão de afirmações gratuitas e inconsequentes. Tanto à esquerda como à direita.
Por um lado ouvimos dirigentes do Bloco de Esquerda ou do PCP a defenderem que pura e simplesmente se deveria proibir os despedimentos a empresas que hajam tido lucros no exercício anterior.
Isto é de uma leviandade aterradora. Afinal de contas, a que tipo de lucros se estão a referir? Será que é igual para tal efeito ter um lucro de um euro, de mil euros ou de um milhão de euros? E, para além disso, será que alguém pode afirmar seriamente que o facto de uma empresa ter beneficiado de lucros num determinado exercício lhe garante que no ano seguinte continuará a ter resultados positivos? Será que não aprenderam a lição com o que o aconteceu no final do ano passado em que empresas que haviam tido lucros no exercício de 2007 se virem confrontadas repentinamente com quebras de produção e de facturação na ordem dos 30%, dos 50% ou até dos 80%?
Lançar-se publicamente este tipo de “propostas”, para além de muito pouco sério, é evidenciador de preconceitos ainda menos dignos. Pelo que por ninguém deverão obviamente ser tidas em consideração. Até porque, para além do mais, são demonstrativas de total desconhecimento das leis que estão em vigor sobre essa matéria.
Inclusivamente, gostaria de chamar a atenção para o facto de as disposições legais que tutelam os despedimentos colectivos – e que foram objecto de consenso entre o Governo e os parceiros sociais –, terem como um dos seus principais pressupostos o de que o despedimento será admissível por motivos de mercado, ou seja, quando houver uma redução da actividade da empresa provocada pela dimunuição previsível da procura dos bens produzidos por aquela.
Concretamente, verifica-se que o legislador e os parceiros sociais tiveram em consideração a diminuição futura – previsível -, da procura dos bens produzidos pela empresa como causa eventual dos despedimentos colectivos. E muito bem o tiveram pois só assim se dota as empresas de condições para com rapidez poderem ajustar os seus quadros de pessoal e assim escaparem à insolvência. Só quem não quiser que as empresas sobrevivam pode contestar esta opção legislativa.
Como se não bastassem estas vacuidades à esquerda, também a direita nos surpreende com propostas que para além de demagógicas são fúteis.
Com efeito, o CDS-PP veio propor que as empresas que beneficiem de apoios do Estado deverão ficar impedidas de fazer despedimentos.
Mais uma vez a perplexidade nos terá de assolar. Afinal de contas, quais os tipos de apoios a que a “proposta” se refere? Benefícios fiscais? Incentivos às exportações? Apoios à contratação? Avales ao crédito? Estímulos à propriedade industrial e à I & D? O recurso ao lay-off? Ou a contratação de programas de qualificação-emprego?
E quais os despedimentos que passariam a ser proibidos? Despedimentos colectivos? Individuais? Extinção de postos de trabalho? Acordos de revogação?
Para além de não dar resposta a todas essas e muitas outras perguntas, a “proposta” do CDS tem subjacente um outro dado profundamente inquietante. É que, sendo tal a ânsia de apresentar propostas, nem sequer cuida previamente de tentar saber o que já está a ser feito.
Na verdade, é sabido que o Governo português já veio impor às empresas, no âmbito do pacote de medidas que entretanto aprovou para supostamente promover o emprego/combater o desemprego, as maiores restrições à cessação de contratos de trabalho.
Nalgumas delas – como por exemplo no caso do programa qualificação-emprego -, excluiu-se às empresas beneficiárias a possibilidade de recorrerem simultaneamente ao “lay-off” e de procederem a despedimentos colectivos até pelo menos ao final de 2009. E chegou-se ao cúmulo não só de as obrigar a manter o número de trabalhadores ao seu serviço como também, imagine-se, de as forçar a proceder à admissão de novos trabalhadores para substituição, até um determinado limite, de trabalhadores que se reformem ou que tomem a iniciativa de se despedir.
De uma forma geral, a obrigação de manutenção do número de postos de trabalho é o elemento estruturante de todas as medidas recentemente implementadas pelo governo português no sentido de supostamente ajudar as empresas a fazer face às dificuldades emergentes da crise.
Ora, esse é seguramente o ponto mais criticável em todo o pacote de medidas adoptadas pelo Governo.
Donde decorre que a “proposta” do CDS, para além de não consubstanciar novidade alguma e de ser ainda mais leviana e incompleta do ponto de vista conceptual que a do Governo, insiste naquele que é seguramente o maior erro do executivo.
Manifestamente, não há com quem possamos contar no sentido de apresentar soluções credíveis e articuladas para ajudar a economia portuguesa a ultrapassar a crise em que está envolvida.
Cada vez mais me convenço de que só podemos contar connosco. Com as empresas que continuamos a querer desenvolver e com as quais pretendemos persistir no objectivo de criar riqueza e valor para o país. E, obviamente, com os nossos trabalhadores a quem queremos continuar a assegurar o trabalho, com dignidade e segurança.
António Saraiva
Presidente da Direcção da AIMMAP"

quarta-feira, 4 de março de 2009

Ser-se coerente

Em artigo de opinião publicado no dia 4 de Março no jornal “Diário Económico”, o Presidente da Direcção da AIMMAP retomou um tema já anteriormente abordado em outras intervenções públicas por responsáveis desta associação, a propósito de acusações absurdas efectuadas aos empresários por dirigentes sindicais e responsáveis políticos.
Independentemente do cerne da questão, apelou à coerência, no sentido de que, no caso de se insistir em penalizar quem procede a despedimentos, se reclame também incentivos para quem não o faz.
Dada a pertinência da matéria, passa a transcrever-se nas linhas subsequentes o referido artigo de opinião.

"Incentivos a quem não despede

Em anterior edição deste jornal, manifestei-me contra as acusações absurdas, efectuadas por sindicalistas, de que as empresas portuguesas se aproveitam da crise para proceder a despedimentos.
Trata-se de uma atoarda que infelizmente tem vindo a ser demagogicamente repetida e até mesmo amplificada por alguns políticos.
É inequívoco que os despedimentos aumentaram. Mas isso acontece tanto em Portugal como na generalidade das economias, em reacção à situação difícil em que vivemos.Com a salvaguarda de que há sempre excepções que confirmam a regra, os despedimentos a que as empresas portuguesas procedem são normalmente, na actual conjuntura, a única alternativa possível às falências.
Não obstante, como é óbvio, nada terei a opor a que eventuais despedimentos ilegais sejam identificados nos locais próprios ou até na praça pública.
Não posso porém aceitar que se pretenda estigmatizar os empresários como potenciais malfeitores.
E não aceito igualmente que, à boleia dessas acusações levianas com que os dirigentes sindicais entretêm as massas, venham alguns políticos contribuir para a criação de um ambiente anti-empresarial, o qual terá como inevitável consequência o empobrecimento geral.
A esse respeito, as propostas apresentadas por alguns partidos políticos no sentido de que as empresas com lucros ou que tenham recebido apoios sejam impedidas de efectuar despedimentos, são verdadeiramente desprovidas de sentido.
Desde logo porque não contextualizam os lucros ou os tipos de apoios nem identificam as formas de despedimentos que deveriam ser proibidas. Em segundo lugar porque não traduzem nada de novo, repetindo o que já foi mal feito pelo Governo. Em terceiro lugar porque são contrárias à lei vigente.Finalmente porque jamais terão qualquer eficácia para o relançamento da economia.
Ao invés de contribuírem para a criação ou a manutenção de postos de trabalho, tais medidas são susceptíveis de provocar mais desemprego.
Independentemente do exposto, gera estupefacção que, num momento histórico em que mais do que nunca a sociedade portuguesa precisa de empresas fortes e competitivas, haja partidos políticos que optem por assumir uma sistemática oposição às empresas. Que até parecem obcecados por censurar, punir e atacar aqueles que querem gerar riqueza ao país.
Permitam-me pois que desafie uma vez mais os maledicentes a tentarem ser mais positivos. E a que, sem prejuízo, conforme a sua natureza lhes impõe, de continuarem a visar os casos negativos, apresentem também propostas construtivas, para que sejam dados apoios às empresas que não despedem.
Temos de ser coerentes. Se punirmos quem despede, temos de premiar quem não o faz. Por exemplo com benefícios fiscais, estímulos ao investimento ou quaisquer outros incentivos. O que não podemos é aceitar que as empresas sejam sempre o bombo da festa.
António Saraiva
Presidente da Direcção da AIMMAP"

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Com quem podem as empresas contar

No editorial da última edição de Metal, publicada no dia 27 de Fevereiro de 2009 como suplemento do jornal “Vida Económica”, o Presidente da Direcção da AIMMAP pretendeu recordar às empresas que, apesar de tudo, é com elas próprias que devem verdadeiramente contar no sentido de ultrapassarem a actual situação difícil da economia portuguesa.

Dada a pertinência do assunto, publica-se nas linhas subsequentes o texto relativo ao supra referido editorial.

"Fazer tão bem como os melhores

Desde há muito que a Direcção da AIMMAP tem procurado concentrar o eixo estruturante da sua actividade numa aposta em factores distintivos dos produtos e das empresas, estimulando os seus associados a investirem naquilo que os possa diferenciar qualitativamente dos seus concorrentes nos mais diferentes pontos do globo.
Daí as nossas iniciativas recorrentes na certificação, na propriedade industrial, na inovação, no design ou na formação profissional.
Temos actualmente a noção clara de que o nosso contributo foi nesse âmbito da maior relevância para que os nossos trabalhadores sejam mais qualificados, para que haja mais marcas e patentes no nosso sector, para que haja cada vez mais empresas e produtos certificados ou para que o investimento seja crescente no domínio da Investigação e Desenvolvimento.
De igual modo, já há muitos anos que a AIMMAP tem promovido inúmeras iniciativas nas áreas da internacionalização e da cooperação inter-empresarial.
E também aqui temos a consciência da importância do nosso estímulo para que haja cada vez mais empresas com projectos estruturados de internacionalização e para que seja crescente o número de iniciativas partilhadas por diferentes empresas.
Atravessamos agora na economia mundial uma situação que é inequivocamente conturbada. Em que os obstáculos são cada vez maiores e mais complexos. E em que os desafios são eventualmente mais difíceis.
Como tenho tido oportunidade de dizer, neste mar revolto em que estamos envolvidos, temos duas opções possíveis: ou baixamos os braços e vamos inevitavelmente ao fundo, ou esbracejamos e tentamos nadar até ao porto mais próximo.
Ao longo dos últimos anos, a grande maioria das nossas empresas aproveitou os tempos menos duros para aprender a nadar. Apostaram na diferença, na cooperação e na internacionalização.
Pelo que, agora, perante as dificuldades, só nos resta dar sequência ao muito que fizemos. Vamos pois, mais do que nunca, continuar as apostas em que estamos envolvidos. E lutemos para evidenciar os resultados dos nossos investimentos passados, presentes e futuros.
Mostremos aos consumidores dos mercados que atingimos que estamos habilitados a competir com os melhores. Que fazemos pelo menos tão bem como os mais capazes.
Esse é seguramente o caminho que nos resta no sector metalúrgico e metalomecânico em Portugal. E é certamente também aquele que todos estamos apostados em continuar a trilhar.
Apesar da falta de apoio do Estado ao sector, da indiferença a que muitas vezes somos votados por alguma comunicação social e da falta de compreensão de responsáveis políticos e dirigentes sindicais face aos nossos problemas e dificuldades, estou certo de que vamos resistir. Com cada vez mais a noção clara de que, afinal de contas, é apenas com o nosso empenho e a nossa competência que poderemos contar.
António SaraivaPresidente da Direcção da AIMMAP"

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Sobre os despedimentos

Tal como é sabido, a comunicação social tem veiculado com frequência algumas acusações sem qualquer fundamento, da parte de determinados dirigentes sindicais, de que há empresas portuguesas que estarão a aproveitar-se da crise para proceder a despedimentos que não seriam justificados.

Estas acusações às empresas são absolutamente absurdas na forma e no conteúdo.

O Presidente da Direcção da AIMMAP, em artigo de opinião publicado no passado dia 18 de Fevereiro no jornal “Diário Económico”, refutou as acusações em causa e desafiou os seus autores a serem mais construtivos.

Atendendo ao interesse do tema em questão, transcreve-se nas linhas subsequentes o texto referente ao supra aludido artigo de opinião.

"Os despedimentos, as empresas e os sindicatos

Alguns dirigentes sindicais vieram insinuar que as empresas portuguesas estariam a aproveitar a crise para fazer despedimentos desnecessários.
Enquanto Presidente da Direcção da AIMMAP não me posso conformar com esse tipo de acusações sem qualquer fundamento.
Não custa a aceitar que, como em tudo na vida, também neste âmbito possa haver condutas menos correctas por parte de algumas empresas. Mas só com leviandade se poderá apregoar que essa seja a regra. Aliás, insistir-se em público nessa tecla raia seguramente o limiar da má fé.
Os empresários e os gestores portugueses estão cientes da importância dos seus trabalhadores para os ajudarem a ultrapassar este momento difícil em que todos vivemos. E não os querem perder.
Apenas em situações limite estarão disponíveis para encarar soluções mais drásticas como os despedimentos. Até porque não há nenhum empresário que tenha gosto em prescindir dos seus colaboradores.
Não significa o exposto que não ocorram situações concretas em que a cessação de alguns contratos de trabalho é a única alternativa viável à insolvência da empresa e à extinção de todos os postos de trabalho.
Mas esses, assumamo-lo com seriedade, não são despedimentos desnecessários. Ao invés, são indispensáveis à viabilidade das empresas e à salvaguarda da generalidade dos postos de trabalho. E têm a particularidade de, como é óbvio e não despiciendo, estarem caucionados pela lei.
Seria pois bem mais sério que os sindicatos optassem por uma postura construtiva neste âmbito. Se conhecem casos em que as empresas prevaricaram, que os identifiquem e denunciem às autoridades competentes. Mas deixem de tentar estigmatizar as empresas como potenciais malfeitores e oportunistas.
Tal como as empresas dificilmente poderão viver sem trabalhadores, também a economia no seu todo jamais poderá sobreviver sem empresas fortes e competitivas.
Só assim, respeitando esse ciclo incontornável, poderemos lutar de forma articulada e construtiva em prol da economia nacional.
Se nem agora, perante dificuldades tão gritantes, os diferentes actores e parceiros sociais conseguem libertar-se de preconceitos absurdos e espartilhos ideológicos, dificilmente poderá o nosso futuro vir a ser risonho.
Pelo que me permito fazer uma sugestão aos sindicatos, a alguns partidos políticos e à própria comunicação social. Ao invés de generalizarem casos negativos que são residuais, seria bem mais interessante e saudável que identificassem publicamente os muitos casos em que as empresas tudo têm feito no sentido de minimizar os despedimentos.
Para além do leque de escolhas ser substancialmente maior, a credibilidade do discurso seria também muito superior.
Será que ainda não estamos suficientemente maduros para que nos possamos entender naquilo que nos deve unir?
António Saraiva
Presidente da Direcção da AIMMAP"

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Mais uma vez as dívidas do Estado

Não pode deixar de suscitar uma grande perplexidade que o Governo português, mesmo depois de reconhecer que tem sido mau pagador às empresas e de se prontificar em abstracto para pagar o que deve, condicione em concreto o pagamento das suas dívidas à submissão por parte das empresas a um conjunto de formalidades e requisitos sem sentido.
A única postura possível de um Estado que se diz de bem seria a de proceder sem discussão aos pagamentos, fazendo acompanhar estes de um pedido de desculpas pelo atraso.
Infelizmente, não é isso que o actual Governo se propõe fazer.
No editorial da última edição de Metal – dia 30 de Janeiro -, o Presidente da Direcção da AIMMAP lamentou este comportamento do Estado português.
Considerando a importância do tema em questão, publica-se nas linhas subsequentes o editorial acima referido.

"Reclamação antiga da AIMMAP
Governo anuncia que irá pagar as dívidas às empresas

Entre muitas outras batalhas em que a AIMMAP se tem envolvido arduamente, merece um especial destaque a luta efectuada no sentido de que o Estado pague as suas dívidas às empresas.
É indigno e não abona nada o Estado como pessoa de bem, que os sucessivos governos tenham deixado arrastar essa situação ao ponto em que a mesma se encontra actualmente.
De facto, verifica-se que o Estado português – sem contar com a administração local – deve actualmente às empresas cerca de 2.000 milhões de euros. O que é verdadeiramente escandaloso.
Ora, foi anunciado pelo Governo – e entretanto publicada uma Portaria nesse sentido -, que o Estado vai pagar as suas dívidas a fornecedores até ao dia 15 de Abril próximo.
Para esse efeito, foi criado um balcão único para reclamar dívidas do Estado - que está “online” desde 15 de Dezembro -, sendo ainda certo que o pedido de regularização da dívida pode ser feito por essa via electrónica até ao dia 31 de Janeiro de 2009.
A AIMMAP saúda que o Estado finalmente se digne disponibilizar-se para cumprir a sua mais elementar obrigação ética, moral e jurídica: pagar o que deve.
Não obstante, não faz qualquer sentido que, para cumprir uma obrigação tão básica, o Governo se escude ainda no cumprimento de procedimentos por parte dos credores. É com efeito absurdo que os credores sejam obrigados a reclamar formalmente uma dívida que ambas as partes sabem perfeitamente que existe. Enfim, mais uma vez as desiguais exigências. E como em tudo, também aqui nos confrontamos com os caminhos apertados e sinuosos do costume.
Em todo o caso espera a AIMMAP que este seja um primeiro passo no sentido de moralizar esta matéria. E, nesse sentido, que o Estado pague tudo o que deve independentemente de os credores fazerem ou não qualquer reclamação da dívida no supra aludido balcão electrónico.
Para além disso, espera sinceramente a AIMMAP que a postura do Estado passe a ser, de uma vez por todas, a de cumprir os seus compromissos.
Pelo que, não basta que se pague agora o passivo anterior, sendo fundamental que todas as quantias que lhe venham a ser facturadas no futuro sejam pagas pontualmente pelo Estado.
Merece uma nota particular ainda o que se passa com as autarquias locais, as quais continuam a ter elevados prazos de pagamento. Mais de metade delas demoram em média cerca de cinco meses a pagar o que devem aos seus fornecedores. E uma parte significativa demora mesmo mais de um ano.
Este comportamento irresponsável de alguns autarcas tem gozado de absoluta impunidade. Mas é inaceitável que assim seja, tendo em conta os graves prejuízos com isso causados à economia nacional.
Terá pois de começar a ponderar-se seriamente que os autarcas não cumpridores sejam penalizados com a perda do respectivo mandato.
Como alternativa há uma outra solução: quem se atrasar mais de um determinado prazo considerado razoável será solidariamente responsável, em termos pessoais, pelo pagamento da dívida. É aliás o que se exige aos responsáveis das empresas por atraso, ou não pagamento, do IVA o que na maior parte das vezes, se não todas, é motivado pelos absurdos atrasos dos recebimentos.
Estou seguro de que em qualquer uma dessas eventualidades, o passivo iria diminuir substancialmente.
António Saraiva
Presidente da Direcção da AIMMAP"

AIMMAP prepara nova Missão Empresarial

Na edição de 21 de Janeiro, do jornal "Diário Económico", a AIMMAP divulgou a organização de de duas novas Missões Empresariais.

Dado o interesse da matéria, transcreve-se nas linhas subsequentes o texto referente ao supra aludido artigo.

"Roménia e Bulgária
AIMMAP prepara nova Missão Empresarial
A AIMMAP – Associação dos Industriais Metalúrgicos, Metalomecânicos e Afins de Portugal, apresentou recentemente no âmbito do QREN mais um projecto para apoio à internacionalização das empresas do sector que representa.
Este novo projecto reporta-se ao ano de 2009 e tem previstas diversas acções consubstanciadas, conforme habitualmente, na realização de Missões Empresariais, na organização de stands colectivos em feiras internacionais e na execução de estudos de mercado.
No caso de, tal como se aguarda e é mesmo previsível, o referido projecto vir a ser aprovado, a participação das empresas nas acções a organizar será parcialmente subsidiada pelo QREN.
No que concerne às Missões Empresariais que nesse contexto serão levadas a efeito, estão previstas acções em mercados como a Roménia, a Bulgária, a Noruega, Marrocos e a Arábia Saudita.
Sem prejuízo de vir mais tarde a dar-se mais detalhes relativamente a cada uma das restantes Missões, desde já se anuncia que a Missão à Roménia e à Bulgária terá lugar nos próximos dias 14 a 20 de Junho.
Esta acção será complementada com a execução de um estudo referente ao mercado romeno, o qual será naturalmente disponibilizado às empresas do sector em geral e aos participantes na Missão muito em particular.
Recorda-se que a Roménia e a Bulgária são os dois mais recentes membros da União Europeia, tendo as respectivas economias vindo a registar importantes taxas de crescimento ao longo dos anos mais recentes.
Inclusivamente, foram detectadas oportunidades interessantes naqueles mercados para as empresas portuguesas do sector metalúrgico e metalomecânico.
Tais circunstâncias motivaram a AIMMAP e as empresas do sector metalúrgico e metalomecânico a investirem numa primeira abordagem a estes mercados, tendo em vista o estabelecimento de parcerias comerciais que venham a potenciar num futuro breve a realização de negócios efectivos.
Tendo em conta o exposto, a AIMMAP decidiu pois levar a efeito esta Missão, na qual está prevista a participação de 8 a 12 empresas nacionais do sector.
No âmbito da acção, a exemplo daquilo que tem sucedido em iniciativas semelhantes promovidas por esta associação em outros mercados, serão organizados contactos directos entre as empresas portuguesas e empresas importadoras ou agentes de distribuição da Roménia e da Bulgária.
A AIMMAP deposita naturalmente grandes expectativas no sucesso desta Missão, tendo em conta não só todo o potencial das economias romena e búlgara como também as oportunidades que em concreto se abrem às empresas portuguesas.
Aliás, a AIMMAP está convicta de que as empresas nacionais deste sector estão aptas a entrar naquele mercado de forma muito competitiva.
Os interessados na obtenção de informações complementares a este respeito, tendo em vista a sua ulterior eventual inscrição na Missão deverão contactar directamente a AIMMAP junto de
pedro.carvalho@aimmap.pt"