sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Consenso entre os partidos: primeiro de muitos?



Os três partidos do chamado “arco da governação” chegaram a acordo sobre a reforma do IRC, para muitos, essencial para a modernização e crescimento da nossa economia.
Desde a apresentação da proposta da Comissão que a sociedade civil, com o Presidente da CIP a liderar o processo, veio alertando para a necessidade de um amplo acordo sobre esta matéria, para a urgência de um compromisso responsável sobre um assunto tão crítico para o país e para as empresas.
Conseguiu-se que os partidos da democracia cumprissem com a sua obrigação de olhar para o país e menos para as suas batalhas políticas.
A história mostra-nos assim que é possível fazerem-se acordos entre Governo e oposição.
A AIMMAP congratula-se com o “feito” e espera agora que este consenso seja o primeiro de muitos outros, igualmente urgentes para Portugal.
Veja quais são os consensos propostos por Aníbal Campos no editorial do Metal e reflita se acrescentaria mais algum.

"Afinal há consensos

Os partidos da maioria e o principal partido da oposição chegaram a um importante consenso na reforma do Código do IRC.
Na maior parte dos restantes países da União Europeia seria absolutamente normal que as mais importantes forças políticas se entendessem no sentido de fazer aprovar um diploma da maior relevância para a atividade económica do país.
Mas em Portugal, não obstante a premência do assunto, as negociações arrastaram-se por entre acusações recíprocas e o acordo obtido foi celebrado com alguma surpresa.
É sabido que entre os 3 partidos do arco da governação é muito mais aquilo que os une do que aquilo que os separa. Mas ainda assim raramente há entendimentos sobre questões estruturantes. Infelizmente, os interesses partidários prevalecem sobre o interesse nacional. E a partidarite fez acentuar de tal forma a crispação que os nossos políticos raramente conseguem ter o discernimento e o bom senso indispensáveis para a criação de consensos.
Desta vez, porém, o PSD, o CDS e o PS conseguiram ser responsáveis. Correspondendo a uma verdadeira exigência da sociedade civil – uma vez mais superiormente liderada pelo Presidente da CIP -, os partidos defensores da economia de mercado foram coerentes com os seus princípios e valores. Por uma vez, concentraram-se no essencial em detrimento do acessório. E prestaram um bom serviço ao país.
Naturalmente, seria exagerado dizer-se que os partidos da democracia estão de parabéns, pois na verdade limitaram-se a cumprir as suas mais elementares obrigações. Em todo o caso, pelo facto de este tipo de entendimentos ser infelizmente tão pouco frequente, gostaria de saudar os nossos líderes – no governo e na oposição -, pelo passo que agora conseguiram dar.
A reforma do IRC é fundamental para a economia portuguesa. Mas ficaria totalmente prejudicada se sobre si pairasse a ameaça de vir a ser revertida a seguir às próximas eleições. Pelo que o envolvimento do PS na aprovação do diploma, conferir-lhe-á uma estabilidade e uma segurança sem as quais os principais objetivos da reforma dificilmente poderiam ser cumpridos.
Este acordo em concreto seria pois, pelos motivos acima expostos, verdadeiramente relevante para o país. Mas independentente disso, tem subjacente um dado por ventura ainda mais importante. É que, afinal, parece possível haver consensos entre governo e oposição democrática.
Há um sinal de que no nosso sistema político poderá haver vida para além da partidarite.
Desta vez foi a reforma do IRC a evidenciá-lo. Mas urge que seja trilhado igual caminho num vasto conjunto de outras matérias. A reforma do Estado, o crescimento económico, a purificação do sistema judicial e redução do défice são temas de tal maneira estruturantes que dificilmente poderão continuar a deixar de estar fora da convergência entre os nossos partidos democráticos.
Haja pois coragem e responsabilidade para se avançar nesse sentido.
Aníbal Campos
Presidente da Direção da AIMMAP"

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

A reforma do Estado…e o estado da reforma

O governo apresentou recentemente e finalmente o guião da reforma do Estado.

Há muito que a Direção da AIMMAP refere que um dos pilares da reforma passa necessariamente pela melhoria do sistema judicial, essencial para a credibilização e moralização de toda a actividade de um país e da economia em particular.
É nesse sentido que se lamenta que a longa espera não tenha trazido nada de novo.
Uma matéria tão sensível e por muitos referida como crítica para o desenvolvimento da sociedade merece poucas e vagas linhas no documento agora divulgado.
A AIMMAP espera que as negociações do documento com os parceiros sociais tragam algo de mais concreto à discussão mas por agora, veja a reflexão proposta sobre o assunto no editorial da Metal e pense por si.

"A reforma do Estado

Enfim, fez-se luz. Quase três anos depois de se ter iniciado a intervenção da troika em Portugal, o governo apresentou finalmente o tão ansiado e anunciado guião da reforma do Estado.
Dir-me-ão que mais vale tarde do que nunca. Mas não resistirei a replicar que me suscita a maior perplexidade que tenha sido necessário esperar tanto tempo para termos acesso a um documento que, no essencial, replica relatórios anteriores do FMI e até o próprio Memorando de Entendimento que o governo precedente subscreveu com a troika.
Há anos que ouvimos o jargão do menos estado, melhor estado. Mas entretanto tudo continua na mesma, cada vez com mais estado e pior estado.
Pelo que um documento tão vago e difuso como este guião, não parece ter condições para ser levado verdadeiramente a sério.
A esse propósito, há aliás uma questão emblemática que não posso deixar de sublinhar.
Como sabemos, um dos maiores constrangimentos da atividade económica e também, cada vez mais, da própria vida em sociedade é o deficiente funcionamento do sistema judicial.
Os tribunais portugueses são lentos e ineficazes, defraudando frequentemente as mais legítimas expectativas das empresas e dos cidadãos. Pelo que qualquer reforma do estado terá necessariamente de ser iniciada por uma reforma profunda do próprio sistema judicial.
Porém, a justiça não assume qualquer relevância substantiva neste documento. E nem sequer são apontados quaisquer caminhos para se potenciar uma melhoria da chamada justiça económica. Proclama-se que será reformada a arquitetura do sistema judicial, mas não se diz como. E nem sequer se sugere de que forma essa nova arquitetura irá debelar as chagas que o massacram.
Confesso que isto está para além da minha compreensão. Basta-me ser utente ocasional do sistema judicial para perceber que a sua arquitetura está errada. Pelo que estaria tentado a exigir um pouco mais de um documento alegadamente tão estruturante.
Não obstante esta minha estupefação, quero ser suficientemente ingénuo para acreditar que o governo ainda irá fazer o trabalho de casa que até ao momento não foi capaz de concretizar.
Espero igualmente que a negociação do documento com os parceiros sociais venha a potenciar os seus pontos positivos e as poucas ideias interessantes que contém.
Mas fundamentalmente, fico na expectativa de que os partidos da governação sejam capazes por uma vez de procurar consensos e criar os alicerces de verdadeiros pactos de regime. Na justiça, na segurança social, na fiscalidade, na educação e na saúde. E que convirjam em entendimentos sólidos que tenham por base as possibilidades do país mas não se cinjam a critérios meramente contabilísticos.
Estamos fartos de conversa fiada, de tricas e de politiquices. E queremos a economia a funcionar.
Aníbal Campos
Presidente da Direção da AIMMAP"

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Reforma do IRC? Sim, mas assim não!

A Direção da AIMMAP tem vindo a pronunciar-se de forma muito positiva sobre a proposta de reforma do IRC.
No essencial a proposta tinha, no entender da AIMMAP, condições para tornar a economia portuguesa mais competitiva e atrativa ao investimento.
Conceptualmente, a proposta apresentada pela Comissão de Reforma do IRC, era equilibrada, fazia sentido e era estimulante na perspectiva dos industriais, apesar de carecer de algumas medidas complementares.
Tinha ainda uma certeza dada pelo Governo: alívio da carga fiscal que vem asfixiando as empresas e a economia em geral.
Afinal, mais uma vez, o Governo não foi claro na proposta de Lei do Orçamento para 2014. E ao contrário do que se esperava e seria razoável, não parece haver nada de bom para as empresas neste orçamento, nomeadamente, com o aumento das tributações autónomas, medida que a Comissão da Reforma nunca consagrou.
Estas são parte da reflexão do editorial da Metal que convidamos todos a ler.

"Dar com uma mão e tirar com as duas

Tal como fiz sublinhar num anterior editorial deste jornal e é inclusivamente reiterado em notícia desta edição, a direção da AIMMAP encara de forma muito positiva a proposta de reforma do Código do IRC.
Conforme temos sublinhado, não obstante tenhamos algumas reservas relativamente a determinados pontos da reforma, no seu essencial, a proposta apresentada tem condições para tornar a nossa economia mais atrativa ao investimento.
Não obstante, com este governo acabamos sempre por ficar com um amargo de boca, mesmo quando nos parece apresentar medidas de apoio à economia.
A reforma do IRC faz sentido e é estimulante. Mas para que possa ser eficaz carece de medidas complementares. No mínimo, exigir-se-ia que não fosse contrariada por outras normas criadas em seguida.
Nesse pressuposto, seria expectável que o governo fosse objetivamente sincero quando apregoava que a reforma visaria aliviar a carga fiscal que asfixia as empresas e a economia em geral. 
Ora, apresentada entretanto a proposta de Lei do Orçamento para 2014, constata-se que tal sinceridade é no mínimo discutível.
Como é sabido, a proposta conhecida é verdadeiramente terrível, não só para os cidadãos como também para a economia.
Uma vez mais, apesar dos enormes sacrifícios com que os portugueses têm sido confrontados ao longo dos últimos anos, não se vislumbra neste Orçamento quaisquer medidas substantivas de que se possa esperar algo de bom para as empresas.
E mesmo no que concerne ao domínio da fiscalidade, as notícias não são animadoras, visto que a tendência é a de agravamento da carga imposta às empresas.
Nomeadamente, ao contrário do que seria previsível, mesmo em sede de IRC irá haver aumento dos montantes a pagar no âmbito de tributações autónomas.
Isto não faz qualquer sentido. Se o governo quer evitar abusos de alguns – que os há -, tem de ser consequente na perseguição a quem os pratica. Bem sei que isso dará mais trabalho e que é mais fácil criar normas com uma abrangência vasta em que caibam justos e pecadores. Mas não é admissível que se penalize todas as empresas de forma verdadeiramente indiscriminada, apenas porque o governo não tem competência, imaginação ou capacidade de trabalho para criar normas bem concebidas, especificamente dirigidas àqueles que abusam e precisam de ser travados.
Começa a ser difícil aguentar!

Aníbal Campos
Presidente da Direção da AIMMAP"

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Concretizar a reforma do IRC é uma obrigação nacional

O presidente da direção da AIMMAP, no editorial da edição do jornal “Metal” de 27 de setembro, manifestou o apoio desta associação à proposta apresentada pela Comissão da Reforma do IRC.

Para além disso, fez questão de apelar a um entendimento nessa matéria entre os três partidos do chamado arco da governação.

Conforme Aníbal Campos fez questão de sublinhar a esse respeito, seria uma lástima que esta oportunidade de dotar a economia portuguesa de um importante instrumento em prol do crescimento económico e da competitividade das empresas acabasse por ser desperdiçada.

Tendo em conta a importância e a atualidade do tema, transcreve-se nas linhas subsequentes o editorial acima referido.

"A reforma do IRC

O atual governo tomou a decisão de mandatar uma Comissão constituída por personalidades altamente qualificadas para conceber uma importante reforma do IRC.
Os dados já conhecidos a respeito da proposta apresentada em tal âmbito pela referida Comissão são altamente estimulantes.
Não obstante, por má fé, preconceito ou simples ignorância, logo que a proposta começou a ser divulgada sucederam-se as críticas, provenientes de todo o tipo de quadrantes.
Assumo aqui a minha perplexidade perante as reações que a proposta da Comissão mereceu.
O país anda permanentemente a encher a boca com proclamações a respeito da necessidade de crescimento.
Ora, o crescimento económico não se determina por decreto. Mas apesar de tudo pode ser potenciado pelo poder político através da criação de instrumentos nesse sentido.
A fiscalidade é seguramente um dos domínios em que qualquer governo pode mexer no sentido de ajudar ao crescimento económico.
Pelo que uma reforma consequente em tal âmbito – muito particularmente ao nível do IRC -, terá de ser inevitavelmente uma medida suscetível de ser acarinhada por quem anda sempre a lamentar a inércia do governo em matéria de dinamização da economia.
Ora, as propostas apresentadas pela Comissão para a Reforma do IRC têm virtualidades óbvias.
Em primeiro lugar anunciam uma descida da taxa de IRC a pagar pelas empresas. O que embora sendo apenas uma pequena parte do trabalho, por si só valeria a pena como resultado final. E mesmo que possa, a prazo, conduzir a uma diminuição da receita fiscal, os benefícios resultantes em termos de ganhos de competitividade das empresas suplantarão largamente aquela eventual redução.
Em segundo lugar preveem a criação de um regime simplificado para as empresas de menor dimensão. O que vem corresponder finalmente a um legítimo anseio de milhares de microempresas portugueses, as quais são verdadeiramente asfixiadas por obrigações complexas e muitas vezes incompreensíveis.
Por outro lado, fazem antever que o sistema resultante da reforma será mais transparente, mais estável e mais previsível. O que permite concluir que virá dotada dos ingredientes indispensáveis para a dinamização da atividade económica e para a atração de investimento.
Finalmente, verifica-se que foi concebida para reduzir de forma dramática os níveis absurdos de litigância fiscal com que o país atualmente se confronta. O que, para além dos méritos intrínsecos da solução, faz ainda prometer que a administração fiscal passará a ser a obrigada a comportar-se com os níveis de decência que definem um país civilizado e um verdadeiro estado de direito.
Por tudo isto e muito mais que agora aqui não cabe, a AIMMAP manifesta de forma clara o seu apoio a esta proposta.
Enquanto Presidente da AIMMAP faço votos para que os partidos que estão no poder - e que nessa qualidade encomendaram esta reforma -, tenham a coragem e a determinação de a levar até ao fim.
Para além disso, apelo ao principal partido da oposição para que tenha uma participação construtiva neste processo. Um partido com vocação de governo – e que pode vir a ser poder daqui a 2 anos -, tem obrigatoriamente de assumir uma posição clara nesta matéria.
É absolutamente decisivo que os três partidos se entendam. E que procurem os consensos indispensáveis para que seja possível concretizar esta reforma verdadeiramente fundamental para o nosso país.
Seria lamentável que esta oportunidade fosse perdida. E ninguém compreenderia que o excelente trabalho já feito até ao momento pudesse vir a ser desperdiçado.
Aníbal Campos
Presidente da Direção da AIMMAP"

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Os responsáveis pela crise

No editorial da edição do jornal “Metal” de 26 de julho, o presidente da direção da AIMMAP, Aníbal Campos, lamentou a conduta altamente reprovável que os responsáveis político-partidários deste país insistem em adotar em prejuízo dos superiores interesses de Portugal.

Para além disso, identificou aqueles que são em seu entendimento os culpados pelo que aconteceu e pode vir a acontecer ao país.

Considerando a assertividade e a clareza das palavras de Aníbal Campos, transcreve-se nas linhas subsequentes o editorial acima referido.

"Culpados


Estando o país a viver uma crise política de contornos verdadeiramente inacreditáveis e considerando os efeitos terríveis que da mesma podem resultar para as empresas que a AIMMAP representa, não poderia deixar, enquanto presidente desta associação, de expressar a indignação do mais importante setor da economia nacional face a tudo aquilo que se está a passar.
Atendendo ao facto de ter de escrever estas linhas com alguns dias de antecedência relativamente à data em que as mesmas poderão ser lidas, admito correr o risco de vir a ser ultrapassado pelos acontecimentos. Mas ainda assim arrisco.
A decisão do Presidente da República de tentar envolver os três partidos da governabilidade numa solução de emergência para os graves problemas que afetam o país motivou inúmeras reações. Mas para mim só merece um comentário: surgiu atrasada pelo menos dois anos.
Não quero com isto dizer que a razão do atraso é somente imputável ao Presidente da República. O que me parece é que, ao longo dos últimos anos, nenhum responsável político do chamado arco democrático fez aquilo que estava ao seu alcance para promover uma solução de consenso. Pelo contrário, insistiram todos em destruir as condições indispensáveis para o efeito.
E agora, naturalmente, depois de tantos anos de disputa e acusações mútuas, todos se sentem com razões e legitimidade para imputar o falhanço do consenso aos outros.
O país está prestes a entrar em bancarrota. E já estaria em default caso não tivesse sido assistido pela Troika. A responsabilidade pela lamentável situação da economia poderá obviamente ser imputada a todos aqueles que gastaram mais do que deviam e podiam. Desde o estado central às famílias, passando pela banca e pelas próprias empresas, o país embarcou acriticamente na ilusão do dinheiro fácil e barato. Pelo que, com maior ou menor dose de cinismo, é fácil dizer-se agora que a responsabilidade do que nos sucedeu tem de ser repartida por todos. E à boa maneira portuguesa, a culpa morre solteira.
No entanto, em democracia, somos chamados regularmente às urnas para eleger os nossos governantes. É evidente que o exercício do voto não é suscetível de nos desresponsabilizar. Mas não é menos óbvio que quando votamos estamos a conferir um mandato sobre a nossa vida, a nossa dignidade e o nosso património.
Pelo que os responsáveis máximos pela tragédia para que fomos arrastados têm nomes e rostos bem conhecidos: os políticos muito pouco competentes que nos conduziram num desgoverno de décadas.
São pois eles os culpados pelo que nos aconteceu. Mas infelizmente, por incrível que pareça, o que eles fizeram ao país corre o risco de vir a parecer pouco quando comparado com o que agora, os que estão no ativo, nos estão fazer.
Aos anteriores governos – muitos -, pode ser imputada incompetência. Mas poderão sempre alegar – com maior ou menor cinismo -, que o seu mal foi não antever as consequências.
Já os atuais líderes partidários – tanto os do governo como os da oposição -, jamais poderão sequer gozar do benefício da dúvida. É que mesmo vendo o país literalmente a afogar-se, ainda assim não deixam de pensar em interesses partidários.
Sinceramente, creio que lhes será muito difícil obter o perdão dos portugueses. É que, tendo em conta a sua conduta recente, aos olhos de muitos de nós, eles são culpados não só por incompetência mas também por irresponsabilidade.
Aníbal Campos
Presidente da Direção da AIMMAP"

segunda-feira, 1 de julho de 2013

É tempo de trocar a austeridade pelo crescimento

No editorial da edição do jornal “Metal” de 28 de junho, Aníbal Campos, presidente da direção da AIMMAP, manifestou a sua perplexidade pela insistência do atual governo em políticas de austeridade agressiva.

Conforme referiu, é tempo de o governo abandonar as políticas de austeridade, trocando-as por medidas de promoção do crescimento.

Tendo em conta a importância das palavras de Aníbal Campos, transcreve-se nas linhas subsequentes o editorial acima referido.
 
"Austeridade a mais

Todos temos a consciência de que Portugal desde há muito que vinha a gastar bem acima das suas possibilidades. Os sucessivos défices orçamentais que o país foi acumulando conduziram-nos a uma situação absolutamente penosa. E era pois preciso fazer alguma coisa no sentido de invertermos o rumo.
Como não adianta chorar sobre leite derramado, não vale a pena estarmos agora a perder tempo com discussões totalmente estéreis sobre saber se fizemos bem em pedir ajuda ao FMI ou se a negociação com os representantes da Troika foi ou não bem desenvolvida.
Mas já é muito diferente - pela relevância e pelas consequências da questão -, saber se a receita que nos foi aviada através do programa de ajustamento a que estamos submetidos foi a mais adequada. Ou mesmo, se porventura tal receita, tendo em conta a dosagem do tratamento, nos está a fazer pior do que a própria doença.
Dois anos de governação sob tutela permitem-nos tirar conclusões a esse respeito.
É evidente que era necessário introduzir regras e princípios rígidos de contenção orçamental. E é igualmente insofismável que havia um conjunto de reformas estruturais que era e continua a ser necessário fazer.
Pelo que, relativamente às medidas enquadradas nessas duas vertentes entendo que, do ponto de vista conceptual, não haverá muito a censurar.
Podemos achá-las excessivas nalguns pontos, insuficientes noutros ou até formalmente erradas em alguns outros. Mas jamais se poderá contestar que um estado sobre-endividado e uma economia em crise precisam urgentemente de contenção orçamental e de reformas estruturais.
Sendo tudo isto certo, continuo porém sem perceber qual o papel neste guião das políticas de austeridade verdadeiramente esmagadoras com que estamos a ser asfixiados. E quanto mais as vejo e sinto, mais acentuo a minha perplexidade.
Fazendo-se um balanço destes 2 anos, a marca distintiva da governação não está nem na fixação de bons princípios de contenção orçamental nem na implementação das reformas de que o país precisa - ainda que alguma coisa tenha sido feita em tal âmbito.
Pelo contrário, a principal marca desta governação é a austeridade agressiva com que parece querer castigar o país.
Este governo parece entender a austeridade como um verdadeiro modo de vida. Mais do que meios ou instrumentos, as políticas de austeridade com que nos vai punindo parecem ser um objetivo final.
Efetivamente este governo dá a ideia de estar viciado nesse tipo de políticas. E para cúmulo, está de tal forma inebriado que tarda em compreender as consequências negativas que das mesmas emergem. Ainda não percebeu que a austeridade não só não traz qualquer benefício, como, ainda por cima, acaba por minimizar ou mesmo anular os efeitos potencialmente positivos de medidas mais úteis e consequentes.
Por exemplo, esta tremenda carga fiscal com que o país se confronta é um verdadeiro absurdo. Tira-se o dinheiro às pessoas, mata-se o consumo interno e reduz-se o investimento à expressão mínima. E no final do dia a própria receita fiscal também definha.
Por essa via, como bem se vê, estrangula-se a economia e vai levar-se à falência um número muito grande de empresas que trabalham exclusiva ou essencialmente para o mercado interno. Sem qualquer benefício nas contas do Estado português, o qual, pelo contrário, vai arrecadar menos do que arrecadaria se não insistisse nessa asneira.
É pois absolutamente urgente que o governe se liberte do vício da austeridade. Que prossiga as reformas de que o país precisa. Que aperfeiçoe e consolide as boas regras de previsão e execução orçamental. Mas que em vez de insistir em mais austeridade comece a tratar verdadeiramente de medidas que tenham em vista o crescimento económico.
Aníbal Campos
Presidente da Direção da AIMMAP

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Prioridades da AIMMAP para os próximos 3 anos

Na edição do jornal “Metal” que foi publicada como suplemento da “Vida Económica” de 31 de maio, o presidente da direção da AIMMAP, Aníbal Campos, abordou no respetivo editorial a lista das prioridades da direção para o mandato recentemente iniciado.

Trata-se de um texto cuja leitura poderá ser útil e interessante para todos aqueles que de algum modo estejam envolvidos na vida da AIMMAP.

Assim sendo, transcreve-se nas linhas subsequentes o editorial em apreço.


"Desafios para um novo mandato

No passado dia 29 de abril, tal como é dada notícia no interior desta edição do “Metal”, teve lugar uma assembleia eleitoral da AIMMAP, no âmbito da qual foram eleitos os membros dos órgãos sociais desta associação para o triénio 2013-2015.
Nessa sequência, acompanhado por um conjunto de colegas a quem faço aqui questão de agradecer a sua competência, generosidade e solidariedade, terei a honra e a responsabilidade de continuar a presidir à Direção da AIMMAP durante os próximos 3 anos.
Em entrevista recente à nossa revista “TecnoMetal” tive o cuidado de enunciar os principais objetivos por nós assumidos para este mandato.
Essas linhas foram entretanto desenvolvidas no Programa de Candidatura apresentado e cuja leitura gostaria que fosse efetuada pelo maior número possível de associados.
Não obstante, tenho todo o gosto em aproveitar esta oportunidade para partilhar com os nossos associados aqueles que serão os principais desafios para este novo mandato.
Conforme tenho feito questão de repetir, a nossa principal prioridade será genericamente a de ajudar as empresas associadas. E gostaria que a afirmação deste propósito não fosse em caso algum encarada como um lugar-comum, uma redundância ou uma vacuidade.
Na verdade, o principal desejo de cada um dos nossos associados será seguramente o de beneficiar de um serviço de elevada qualidade. E para esse efeito, é fundamental que a AIMMAP continue a honrar a sua reputação de prestar consultadoria de excelência a todos os associados. Não tenho a menor dúvida de que assim continuará a suceder.
Por outro lado, considerando que o principal problema das empresas portuguesas é a falta de liquidez, empenharemos os nossos maiores esforços no sentido de contribuir para soluções que potenciem o seu financiamento e também a sua recapitalização.
A internacionalização manter-se-á igualmente como uma verdadeira prioridade, com o objetivo assumido de que o nosso setor continue a ser a principal indústria exportadora em Portugal. Nesse domínio, haverá 3 eixos estruturantes do nosso trabalho. Em primeiro lugar, ao nível político, lutaremos para que o nosso setor seja cada vez mais uma aposta prioritária do país. Em segundo lugar, numa vertente operacional, continuaremos a conceber e implementar projetos de internacionalização financiados pelo COMPETE, tendo em vista a que as nossas empresas possam ver ressarcida uma parte das suas despesas emergentes da presença em feiras e da prospeção de mercados. Finalmente, não obstante os necessários ajustamentos, iremos replicar a excelente experiência de sucesso no Brasil, com a criação de unidades de apoio às nossas empresas na Argélia e na Colômbia.
De igual modo, iremos insistir na aposta na Inovação, sendo aliás certo que nos comprometemos a proceder à criação de um Gabinete de Apoio à Inovação.
Vamos igualmente continuar a apostar fortemente na formação, nomeadamente a empresários e gestores no quadro do Programa Formação-Ação e também no domínio da iniciativa “Encontros com Tema” que é promovida pela AFTEM como a forte colaboração da AIMMAP.
Honrando igualmente a nossa história em tal domínio, vamos continuar a dedicar a maior atenção à contratação coletiva, potenciando, como sempre temos feito, os benefícios que da mesma resultam para a paz social no setor e para a competitividade das empresas.
Imputaremos uma grande parte do nosso esforço em prol das restantes entidades de suporte ao setor e em cuja gestão estamos envolvidos como são os casos, entre outros, do CATIM, do CENFIM, da AFTEM, da PRODUTECH, do INEGI e da CERTIF.
Finalmente, repetindo o que referi na entrevista à “TecnoMetal”, faço questão de sublinhar que é nosso ponto de honra que a AIMMAP continue profundamente envolvida nas estratégias delineadas e desenvolvidas pela CIP, a qual é e continuará a ser a legítima representante da indústria nacional no seu todo e o polo agregador do mundo empresarial português. É essencial que a CIP continue a ser o baluarte da economia de mercado e o único interlocutor do estado em representação das empresas. O trabalho desenvolvido pela CIP sob a liderança de António Saraiva tem sido verdadeiramente decisivo para a vida das empresas. Vamos continuar a contribuir com a nossa quota-parte para que assim continue a suceder.
Estes serão algumas das principais apostas estratégicas da AIMMAP nos próximos 3 anos. Estou certo de que contaremos com a força e apoio dos nossos associados para as conseguir concretizar.
Aníbal Campos
Presidente da Direção da AIMMAP
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