terça-feira, 3 de março de 2015

Financiar quem quer investir

Foi anunciado o programa do Banco Central Europeu para injetar liquidez nas economias europeias, o Quantative Easing.

Independentemente da bondade da medida, do ponto de vista de Portugal e das empresas nacionais, este programa só terá efeitos reais se estiver conjugado com a redução da burocracia, da carga fiscal e do melhoramento dos mecanismos de acesso aos fundos estruturais. E se juntarmos a isto uma melhor perceção da banca relativamente ao risco de investimento das empresas, então sim, poderemos ter esperança de que os euros do BCE cheguem à economia real.
Estas são parte das reflexões do Presidente Aníbal Campos que a todos convidamos a ler no editorial do Metal de fevereiro aqui.

"Fazer chegar o dinheiro à economia
O Banco Central Europeu anunciou recentemente o Quantitative Easing Europeu, um programa há muito tempo ansiosamente aguardado e através do qual aquele banco central pretende injetar dinheiro nas economias europeias.
Concretamente, o BCE irá proceder à compra de dívida pública aos países da zona Euro, num montante total que se estima ascender a 500.000 milhões de euros.
Este programa poderá ter efeitos positivos importantes na gestão da dívida dos estados, sendo ainda possível que, pelo menos indiretamente, possa vir a ter impacto em algumas economias europeias.
Mas se não for acompanhado de outras medidas estruturantes, será muito difícil que venha a cumprir os efeitos que os mais otimistas lhe estão a atribuir.
Ora, é verdade que a compra de dívida pública poderá ter o efeito de estabilizar os custos de gestão da dívida dos estados, o que naturalmente será positivo.
É também certo que, pelo menos conceptualmente, os custos de financiamento das economias europeias serão reduzidos – o que se acolhe igualmente com satisfação.
E finalmente, também se admite como plausível um efeito indireto positivo nas empresas exportadoras, as quais se tornarão mais competitivas nos mercados globais em resultado da inevitável depreciação do euro.
Não obstante, é muito duvidoso que, se nada mais for feito, os montantes injetados em cada país pelo BCE cheguem efetivamente às empresas. Pelo contrário, existe o risco bem real de que o dinheiro fique aprisionado no setor financeiro.
Com efeito, independentemente desta medida que agora será implementada pelo BCE, o setor financeiro não tem hoje em dia quaisquer problemas de liquidez. Pelo contrário, a generalidade dos bancos tem muito dinheiro disponível para injetar na economia.
Nesse quadro, se os bancos não emprestam dinheiro às empresas, isso não decorre de falta de liquidez mas sim em resultado de uma perceção de risco quase alarmista. Os bancos não concedem crédito porque têm medo de investir numa economia que a seu ver permanece instável e muito frágil.
Assim sendo, se é certo que já atualmente têm excesso de liquidez e ainda assim são altamente restritivos na concessão de crédito, não será seguramente por passarem a ter mais dinheiro disponível que mudarão as suas políticas nesse âmbito.
É pois fundamental que cada Estado Membro beneficiário deste programa implementado pelo BCE faça também o seu trabalho de casa e tome a iniciativa de criar mecanismos que facilitem a transferência do dinheiro do sistema financeiro para a economia real.
Nesse contexto, no que concerne ao estado português, é indispensável em primeiro lugar que sejam implementadas medidas de promoção do investimento, nomeadamente através da redução da burocracia, do alívio da carga fiscal e da agilização dos mecanismos de acesso aos fundos que serão disponibilizados no próximo quadro comunitário de apoio. 
Por outro lado, é essencial que sejam desencadeadas medidas que estimulem uma maior flexibilização dos critérios observados pela banca portuguesa na concessão de crédito. E nesse âmbito, o estado português deverá desempenhar um papel fundamental através da Caixa Geral de Depósitos e fundamentalmente da futura Instituição Financeira de Desenvolvimento – vulgarmente designada como Banco do Fomento.
Quanto a nós estes serão dois eixos decisivos para que as boas intenções do BCE se traduzam em verdadeiros estímulos à economia portuguesa.
Pelo que, a nosso ver igualmente, é fundamental que sejam levados em boa conta pelo governo português. E se o governo não os subscrever, ficaremos a aguardar que nos explique as suas razões.
Mas independentemente disso, urge fazer alguma coisa de eficiente neste âmbito, pois se o dinheiro não chegar efetivamente à economia, este programa do BCE será para o país exatamente o mesmo do que chover no molhado.
Aníbal Campos
Presidente da Direção da AIMMAP"

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Até onde poderia ir o CENFIM…se o deixassem?

O CENFIM, todos o reconhecem, é uma organização de excelência ao serviço das empresas do setor metalúrgico e metalomecânico, na área crítica para o crescimento das empresas, que é a formação.

As empresas, para cumprir o imperativo do crescimento e do aumento das exportações, necessitam de recursos humanos qualificados e o CENFIM tem sido instrumental neste domínio.

Mas, como diz o Presidente da AIMMAP no editorial do METAL deste mês, o CENFIM poderia fazer muito mais se as condições o permitissem. Leia a reflexão de Aníbal Campos sobre este assunto e as razões das limitações impostas pelo Ministério das Finanças que têm impedido o CENFIM de fazer mais e melhor.

"O governo não pode dificultar a atividade do CENFIM
O CENFIM é um caso verdadeiramente paradigmático de uma organização de excelência ao serviço das empresas, sendo aliás certo que uma importante parcela da responsabilidade no sucesso do nosso setor é àquele devida.
Todos nós sabemos como o CENFIM foi e é importante para que seja possível estarmos a festejar o melhor ano de sempre das nossas exportações, pois isso nunca seria possível se as nossas empresas não estivessem apetrechadas com técnicos altamente qualificados.
Mas não obstante sejam inteiramente merecidos todos os elogios à atividade do CENFIM, não podemos ainda assim enterrar a cabeça na areia e ignorar os problemas que apesar de tudo existem.
É verdade que o CENFIM faz muito pelas nossas empresas e pelo nosso setor. Mas não é menos certo que, se o deixassem, poderia fazer ainda muito mais.
Com efeito, num momento em que as nossas empresas estão altamente empenhadas em corresponder ao desígnio nacional do aumento das exportações, sentimos claramente um défice de oferta de mão-de-obra qualificada. E assim sucede em vários planos.
Em primeiro lugar constata-se que o número de pessoas formadas pelo CENFIM nas áreas a que o mesmo tradicionalmente se dedica não é suficiente para as necessidades das empresas.
Em segundo lugar, temos a perceção de que o nível de incorporação tecnológica na formação ministrada pelo CENFIM já não se encontra totalmente adequado à realidade de muitas das nossas melhores empresas.
Em terceiro lugar, verifica-se ser necessário que o CENFIM alargue horizontalmente o âmbito da sua atividade formativa, passando a ministrar novos cursos especialmente vocacionados para novas profissões que emergem nas empresas do setor.
Em quarto lugar parece-nos que seria altamente conveniente que o CENFIM pudesse agilizar com maior eficácia as suas ações de formação dirigidas aos trabalhadores no ativo.
Finalmente, constatamos que, infelizmente, a formação de quadros intermédios é altamente deficitária.
Estas são 5 vertentes em que nos parece indispensável conferir maior eficácia à atividade do CENFIM.
Mas é bom que fique muito claro que com estas palavras e sugestões não estou a fazer qualquer crítica ao CENFIM, a quem o dirige ou a quem nele trabalha. Pelo contrário, a nossa crítica é dirigida essencialmente a quem parece fazer questão de o espartilhar.
Para que seja possível melhorar o CENFIM e ajudá-lo dessa forma a servir melhor a economia portuguesa, é absolutamente fundamental que sejam feitos investimentos criteriosos em equipamentos, recursos humanos e consultoria. E é igualmente essencial que se agilize a sua gestão.
Porém, nestes tempos de verdadeira ditadura do Ministério das Finanças em que temos vivido durante as últimas legislaturas, tem sido feito precisamente o contrário.
Os investimentos não são autorizados. Os orçamentos são diminuídos de ano para ano. Os recursos humanos não podem ser renovados. E a gestão é cada vez mais rígida e burocratizada. Tudo isto em cumprimento das políticas impostas pelo Ministério das Finanças.
Esta lógica - que é inclusivamente um pouco miserabilista -, não augura nada de bom para o futuro. E vai seguramente frustrar as expectativas de muitas empresas de enorme potencial exportador, as quais vão acabar por ver interrompidas as suas trajetórias ascendentes, pela falta de recursos humanos capazes de dar resposta às necessidades dos seus cada vez mais exigentes clientes.
Nós já não vivemos no tempo em que as nossas empresas ou se bastavam com um mercado interno razoavelmente fechado ou competiam nos mercados externos com base em políticas de preços baixos. Pelo contrário, hoje em dia, as nossas empresas têm de competir – cá dentro, ou lá fora -, através da qualidade e da diferenciação. E isso, como é bom de ver, só será possível com cada vez mais e melhor formação aos nossos recursos humanos.
Esperemos pois que o nosso Governo perceba melhor que o CENFIM é um ativo de excelência da economia nacional. E que atue rapidamente em conformidade.
Aníbal Campos
Presidente da Direção da AIMMAP"

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Crescimento e responsabilidade para 2015

2014 foi um ano de boa memória para o setor metalúrgico e metalomecânico, não só pelos resultados alcançados mas também pelo reforço da imagem como o setor industrial mais exportador do país.
O setor tem assim de ser tido em conta na definição de políticas que suportam a atividade económica.
O maior setor industrial do país e motor do crescimento económico pode dar um enorme contributo para a eficácia das políticas públicas.

No seu editorial do Metal, Aníbal Campos, presidente da AIMMAP, reflete sobre os resultados do setor e perspetiva a responsabilidade de crescimento para 2015.

"Crescimento em 2014 estimula ambição e responsabilidade para 2015

Agora que chegámos ao fim de mais um ano é natural que se faça um balanço e se recuperem algumas notas dos 12 meses que passaram, diríamos, a uma velocidade estonteante.
Felizmente, para o setor metalúrgico e metalomecânico português, 2014 será um ano de boa memória, não só pelos resultados globais alcançados mas também pelo reforço da imagem como o setor industrial mais exportador do país.
Num período em que a necessidade de orientar a economia para atividades de valor acrescentado e que sustentem o crescimento económico de forma segura foi imperativa, o setor liderou a abertura ao exterior e organizou-se de forma a responder aos desafios da qualidade e inovação constantes, com competitividade à escala global.
Os resultados desta atitude, que foram “novidade” para alguns mas que todos agora reconhecem, são bem visíveis: o setor ultrapassará, ao que tudo indica, os números mais otimistas em valor de faturação e em valor de exportação, com taxas de crescimento a rondar os 10%, passando em definitivo o valor mítico dos 13.000M€ de valor exportado.
Tudo isto foi feito pelas empresas e, para a AIMMAP, com as empresas e para as empresas.
À AIMMAP coube, entre outras, a responsabilidade de acompanhar e apoiar as empresas associadas no caminho da competitividade e do crescimento. Este acompanhamento foi feito nas mais diversas formas, quer na componente de apoio à internacionalização, materializada na presença sustentada e organizada em feiras de referência, nos mais diversos segmentos do setor, mas também, na procura de novos mercados e de oportunidades nas áreas da inovação e da qualidade sustentada.
É neste contexto que temos que referir com orgulho a presença de 70 empresas portuguesas em Paris na feira MIDEST em novembro, fazendo assim de Portugal o país mais representado no certame, o que diz muito sobre a forma como as empresas de subcontratação industrial estão a encarar os desafios.
Mas também noutros segmentos o ano foi marcante. As empresas de cutelaria falam em ano recorde de vendas, sem dúvida alicerçado numa política de qualidade e design com serviço ao cliente em mercados de alto valor acrescentado.
Na louça metálica a liderança em vários mercados internacionais tem-se acentuado, fruto de uma política de qualidade e inovação constante.
Nas máquinas e equipamentos, a entrada em mercados altamente exigentes e competitivos tem-se pautado por um crescimento lento mas sustentado, dando excelentes indicações para 2015, apesar da feroz concorrência de alguns players com práticas no mínimo condenáveis e muitas vezes desleais.
Evidentemente que nem tudo foram sucessos. Mas face aos desafios e à exigência do momento, é possível fazer desde já um balanço muito positivo do ano.
Teremos de esperar mais umas semanas para confirmar os valores indicativos de que já dispomos mas temos como certo que este será o melhor ano de sempre para o setor.
A fasquia está assim altíssima para 2015.
Não nos amedrontarmos com isso. Pelo contrário. A vontade de fazer mais e melhor pelo setor e pelas empresas associadas incute-nos uma responsabilidade a que a AIMMAP não foge. Queremos continuar a melhorar a imagem do setor e a informar os que desconhecem o nosso trabalho, que vão sendo cada vez menos. E não o fazemos com uma perspetiva de vaidade. Fazemo-lo em nome do justo reconhecimento que há que fazer a um setor que representa 18% do PIB, tem cerca de 15.000 empresas e perto de 200.000 colaboradores. Estes números não só impõem respeito e responsabilidade mas também têm de fazer parte da definição de políticas públicas que suportam a atividade económica. Não queremos regimes de exceção mas queremos o respeito por um setor que é hoje definitivamente o maior setor industrial do país e o motor do crescimento económico. Como gostamos de dizer na AIMMAP, a indústria das indústrias.
Desejamos um bom ano de 2015 a todas as empresas do nosso setor, em especial às associadas da AIMMAP que connosco têm trilhado um caminho de sucesso.
Aníbal Campos
Presidente da Direção da AIMMAP"

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Fiscalidade mesmo muito verde

No plano das reformas que o país necessita, diz-nos o governo da república que chegou a hora da fiscalidade verde, sinal de “modernidade e responsabilidade ambiental”.

Não podem as PME aplaudir uma reforma que basicamente tem como consequência imediata o agravamento dos custos de produção e transporte em valores lesivos da competitividade empresarial.

Esta é uma das conclusões que levam o Presidente da AIMMAP, Aníbal Campos a lamentar mais um custo de contexto para as empresas, no seu editorial do Metal deste mês. Veja a totalidade do editorial aqui


"A chamada fiscalidade verde

O Governo tem vindo a apregoar com grande ênfase a introdução no regime fiscal português da chamada fiscalidade verde.
Sugere a maioria que nos governa que esta reforma fiscal é um sinal de modernidade e de responsabilidade ambiental.
No entanto, muito sinceramente, analisada a medida em causa, não se percebe a razão de ser da sua aplicação neste momento.
Aliás, tal como a CIP já o evidenciou pormenorizadamente, esta reforma da fiscalidade verde irá onerar as PME nacionais, as quais verão agravados os respetivos custos de produção e transporte num montante que, já em 2015, poderá atingir os 70 milhões de euros.
Concretamente, esta reforma consubstanciar-se-á, no essencial, numa tributação suplementar sobre os combustíveis.
Sendo certo que o custo dos combustíveis é já atualmente um fator de constrangimento da competitividade das empresas nacionais – e das PME em particular -, parece claro que a medida aqui em apreço irá seguramente reduzir os níveis de competitividade das empresas portuguesas.
Essa questão reveste-se de gravidade acrescida quando é certo que a maioria dos Estados-Membros da União Europeia não irá adotar medidas semelhantes ou sequer parecidas no mesmo domínio. Donde resulta que a competitividade externa das empresas portuguesas correrá o sério risco de vir a ser fortemente reduzida.
Consequentemente, tal como a CIP já teve oportunidade de o sublinhar, esta medida irá potenciar um aumento da receita fiscal à custa da competitividade das empresas, o que é profundamente errado do ponto de vista económico e não tem sequer em conta o conselho de prudência que a própria Comissão da Reforma da Fiscalidade Verde tinha feito sublinhar.
Acresce que é também claro que desta medida não irá emergir qualquer ganho ambiental relevante. Pelo que nem aí será possível encontrar argumentos fortes para justificação da mesma.
Seria pois importante que o Governo refletisse mais sobre este assunto. Que avaliasse corretamente todo o impacto da medida, muito particularmente no domínio da atividade empresarial. Que procurasse conhecer antecipadamente o que projeta fazer a Comissão Europeia nos próximos anos no que diz respeito a matérias relacionadas com esta questão. Que tivesse em consideração o que os Estados-Membros cujas empresas competem mais diretamente com as nossas, tencionam fazer ou não fazer neste âmbito. E que perdesse o habitual frenesim de querer ser sempre o bom aluno nas questões supostamente mais modernas - e nomeadamente no domínio do ambiente.
As empresas portuguesas continuam asfixiadas com os mais diversos custos de contexto. Não faz pois qualquer sentido que estejamos a criar mais um, ainda por cima quando os países que competem connosco não o irão fazer.
Aníbal Campos
Presidente da Direção da AIMMAP"

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Formação para empresários: a realidade do sector Metalúrgico e Metalomecânico

No seu editorial do último METAL, Aníbal Campos descreve a realidade do trabalho desenvolvido pela AIMMAP, em articulação com o CENFIM e IAPMEI, relativo ao Programa de Formação-Acão para empresários do setor Metalúrgico e Metalomecânico.

O Presidente da AIMMAP refere vários pontos importantes: os responsáveis das PME, sobretudo os do setor, ao contrário do que se diz, estão motivados para a formação; a adesão das empresas da AIMMAP está a ter consequências diretas na criação de emprego, competitividade das empresas e reforço das competências;

Em resumo, um sucesso a que é necessário dar continuidade no próximo quadro comunitário de apoio e para o qual as empresas da AIMMAP contam com a sua associação.

Leia o editorial completo aqui e reflita sobre o desafio constante da formação.

"Formação de empresários
Ao longo dos últimos anos, em articulação com o CENFIM e o IAPMEI, a AIMMAP tem vindo a promover sucessivas edições do Programa de Formação-Ação para empresários do setor metalúrgico e metalomecânico.
Até ao momento, foram levadas a efeito precisamente 7 edições do referido programa, as quais abrangeram empresários e gestores de 105 pequenas e médias empresas.
Estamos assim em condições de tirar algumas conclusões relevantes a propósito desta iniciativa da AIMMAP.
Nesse sentido, a primeira ilação a reter é a de que, ao contrário do que muitas vezes se sugere, os responsáveis pelas PME’s portuguesas estão altamente motivados para receber formação.
A adesão sistemática das empresas da AIMMAP a esta iniciativa ilustra com clareza que, pelo menos neste setor, os nossos empresários estão cada vez mais sensibilizados para a importância da formação. E têm não só a vontade e o empenho de procurar adquirir novas competências e ferramentas como também a humildade indispensável para aprender cada vez mais.
Por si só, tal circunstância permitiria qualificar este programa como um verdadeiro sucesso.
Mas mais importante ainda do que isso será fazer a avaliação dos excelentes resultados obtidos pelas empresas em consequência da sua participação no programa.
Na verdade, a análise aos indicadores disponíveis permite concluir que a frequência desta ação de formação não só valoriza pessoal e profissionalmente os empresários que na mesma participam, como ainda, mais relevante ainda, enriquecem e qualificam as empresas que aqueles lideram.
Veja-se desde logo a influência na criação de postos de trabalho. A esmagadora maioria das 105 empresas participantes nas 7 edições deste programa manteve ou aumentou o número de postos de trabalho. E cerca de 60% delas procederam à criação líquida de postos de trabalho. Ou seja, no final do curso tinham um número de trabalhadores ao serviço superior ao que possuíam no início da formação.
É ainda relevante sublinhar a tal propósito que esse fenómeno de criação líquida de emprego ocorreu em cada uma das 7 edições, sempre em valores percentuais próximos dos supra referidos 60%. O que significa que se pode observar um padrão bem definido que em caso algum poderá ser confundido com uma mera coincidência.
Ainda a respeito desse indicador, deve frisar-se que o incremento global de postos de trabalho foi ligeiramente superior a 10%.
Finalmente, é conveniente esclarecer que toda esta trajetória ascendente no volume de emprego das empresas participantes no programa ocorreu entre 2009 e 2014, ou seja, num período histórico de aumento do desemprego em Portugal.
Apesar da enorme importância dos dados atrás evidenciados, há no entanto um conjunto vasto de outros indicadores que merecem igualmente a maior atenção para melhor se avaliar o impacto altamente positivo desta iniciativa.
Assim, verifica-se que cerca de 80% das empresas aumentaram o seu volume de vendas, sendo que um número muito significativo viu crescer tal volume em mais de 10%.
Cerca de metade das empresas aproveitou as valências e os ensinamentos do programa para implementar processos de reestruturação.
Quase 60% das empresas desenvolveram medidas com vista à certificação.
Um número percentual idêntico ao anterior aumentou o investimento em Inovação, Investigação e Desenvolvimento.
E a esmagadora maioria das empresas passou a encarar os processos de internacionalização de uma forma muito mais assertiva.
Estes são dados absolutamente objetivos, que atestam a enorme qualidade deste programa.
Mas os testemunhos altamente positivos dos empresários e gestores que frequentaram as várias edições do programa são igualmente elucidativos dessa excelência.
Enquanto Presidente da Direção da AIMMAP faço questão de confessar a nossa enorme satisfação pelo sucesso revelado por esta iniciativa.
Temos a clara noção de que contribuímos decisivamente para qualificar a gestão das nossas empresas e criar valor ao setor.
Consequentemente, estamos convictos de que fizemos uma vez mais aquilo que as empresas esperam de nós.
Quero também saudar o CENFIM pela excelência do seu trabalho, o qual tem sido fundamental para o sucesso do nosso projeto.
De igual modo, a equipa de consultores que tem vindo a participar no programa justifica plenamente uma palavra de apreço pela sua competência e, inclusivamente, pelo elevado grau de compromisso demonstrado não só com o espírito de missão da AIMMAP como também com os interesses das empresas.
Finalmente, impõe-se um cumprimento especial ao IAPMEI pelo seu papel importantíssimo enquanto organismo intermédio responsável pela gestão do programa.
Está absolutamente demonstrado que o Programa de Formação-Ação conseguiu cumprir com enorme eficácia e competência os objetivos que lhe estavam subjacentes tendo em vista a valorização das empresas.
E não há quaisquer dúvidas de que esta iniciativa foi um verdadeiro sucesso aos mais variados níveis.
Pelo que, os excelentes resultados obtidos pelas empresas obrigam a que o programa mantenha lugar cativo no próximo quadro comunitário de apoio. Se assim suceder – como a realidade e o bom senso impõem -, haverá seguramente condições para se fazer ainda mais e melhor e dessa forma continuar a contribuir para que a economia portuguesa seja cada vez mais robusta e competitiva. Acreditem nas nossas empresas, pois nós saberemos sempre estar à altura das mais elevadas expectativas.
Aníbal Campos
Presidente da Direção da AIMMAP"

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

As exportações e a melhoria do mercado interno

Os números do comércio internacional do setor metalúrgico e metalomecânico são animadores: nos primeiros 7 meses de 2014 a indústria exportou perto de 8.200 milhões de euros com um crescimento homólogo de 6,2%. A estratégia de internacionalização e diversificação do setor está a ter resultados.
Estes dados aumentam a responsabilidade da indústria e implicam uma outra reflexão: é também necessário identificar as oportunidades decorrentes da melhoria, ainda que ténue, do comércio no mercado interno. A substituição de importações por produtos nacionais é também um enorme, interessante e valioso desafio.
A este propósito, leia aqui a reflexão do Presidente Aníbal Campos no editorial do Metal deste mês.
 
"Exportar, mas também ser competitivo no mercado interno

Na última página desta edição do “Metal” é dada notícia sobre os resultados do mais recente estudo sobre comércio internacional no âmbito do setor metalúrgico e metalomecânico.
Os números aí revelados são verdadeiramente impressionantes, evidenciando com cada vez maior clareza a excelente performance exportadora das empresas deste setor.
Nos primeiros 7 meses do presente ano a nossa indústria exportou um pouco mais de 8.200 milhões de euros.
Comparativamente com o mesmo período de tempo no ano anterior, constata-se que as nossas exportações cresceram 6,2%.
Estes números extraordinários são demonstrativos de que o nosso setor continua a ter margem de crescimento no que às exportações se refere.
Apesar de ser, a larga distância de qualquer outro, aquele que mais exporta em Portugal, o setor metalúrgico e metalomecânico tem condições para tornar os seus próprios números ainda mais robustos.
Aliás, há sinais claros desse potencial de crescimento. Não só há cada vez mais empresas exportadoras, como se verifica também que as que já tinham experiências de exportação estão a conseguir diversificar os mercados a que se dirigem. Para além disso, constata-se que, em determinados subsetores ou segmentos de atividade, a reputação internacional dos nossos produtos é cada vez maior.
Os números acima expostos, acompanhados dos sinais também atrás enunciados, permitem antecipar com um elevado grau de certeza que as exportações da indústria metalúrgica e metalomecânica ultrapassarão em 2014, pela primeira vez, a barreira dos 13.000 milhões de euros.
A concretizar-se esse número, será seguramente um marco histórico para o nosso setor.
Não obstante, de forma alguma o deveremos encarar como um ponto de chegada. Pelo contrário, deverá ser assumido como uma simples etapa no processo de crescimento do setor.
Ora, a esse respeito importa sublinhar que o nosso crescimento não passa apenas pelo aumento das vendas ao exterior. Nesse sentido, teremos de estar atentos igualmente às oportunidades que nos são oferecidas pelo mercado nacional. Pelo que deveremos identificar os segmentos em que será possível substituir importações por produtos nacionais.
Também nesse âmbito a margem de crescimento é muito significativa, pelo menos em alguns subsetores de atividade.
Sucede que, infelizmente, não estamos a ter nessa vertente um sucesso idêntico ao que se verifica no domínio das exportações.
Pelo que importa refletir estrategicamente nessa questão. Temos de procurar saber qual a melhor forma de responder competitivamente às necessidades da nossa própria economia.
A AIMMAP compromete-se a assumir esse desafio. Tal como assumimos e estamos a vencer o repto das exportações, iremos agora, em simultâneo, procurar contribuir para que seja possível concretizar a substituição de importações.
Estamos certos de que o nosso setor tem todas as condições para vencer também este desafio. Com o apoio das nossas empresas e o suporte indispensável das diversas entidades de suporte ao setor – como por exemplo o CATIM, o CENFIM, a AFTEM ou a PRODUTECH -, teremos seguramente todas as condições para identificar corretamente os nichos e segmentos em que os produtos portugueses estão aptos a substituir de forma competitiva a compra de produtos estrangeiros. O que será certamente mais um enorme passo no processo de crescimento do setor metalúrgico e metalomecânico.
Aníbal Campos
Presidente da Direção da AIMMAP"

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Dupla de confiança…

O Presidente da AIMMAP lembra a liberdade e independência do setor para, seja qual for o governo que estiver em funções, criticar o que é mal feito e apoiar as decisões acertadas dos poderes públicos.
É nessa lógica que destaca a crença dos empresários naquilo a que chama de “confiança em dois altos responsáveis do Estado português”: o Governador do Banco de Portugal e o Ministro da Economia.
Relativamente a Carlos Costa, registe-se, entre outros méritos, a atenção que tem dado à economia real, como foi recentemente noticiado no caso do nosso setor.
Quanto a António Pires de Lima, como dizem os empresários, finalmente está alguém no Ministério da Economia que conhece as empresas.
Leia o editorial do Metal de Aníbal Campos para melhor clarificar o porquê da confiança do setor nestes dois pilares da economia portuguesa.

"Dois pilares da confiança
Em muitas mais ocasiões do que aquelas que eu próprio gostaria que acontecessem, tenho utilizado este espaço editorial, na minha qualidade de Presidente da Direção da AIMMAP, para denunciar decisões erradas tomadas pelos poderes públicos.
Independentemente disso, permitam-me que me orgulhe de ter sempre procurado fazer incidir as minhas críticas em questões relacionadas com as políticas implementadas e não com as pessoas responsáveis por tais políticas.
Na AIMMAP há muito que damos provas de não ter medo da verdade. Procuramos ser livres e independentes, criticando o que é mal feito e apoiando o que no nosso entendimento é feito corretamente. E assumimos as nossas posições independentemente do governo que esteja em funções em cada momento.
Ora, é precisamente com essa liberdade e independência que, nesta ocasião, gostaria de sublinhar a confiança que nos merecem dois altos responsáveis do Estado português.
Refiro-me concretamente ao Governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, e ao Ministro da Economia, António Pires de Lima.
Naturalmente, uma vez mais, o reconhecimento não é necessariamente às pessoas em causa mas antes de mais à forma corajosa e competente com que têm desempenhado as respetivas funções atuais.
Quanto ao Governador do Banco de Portugal, registo com enorme gosto a atenção que o mesmo dedica à economia real. Nunca se confinou aos salões financeiros e procura descer ao chão de fábrica para melhor entender o que se passa no mundo das empresas. Ainda recentemente, conforme foi divulgado na anterior edição do Metal, recebeu de forma magnífica uma delegação da AIMMAP para que o Banco de Portugal pudesse conhecer com maior detalhe o impacto do setor metalúrgico e metalomecânico na economia nacional.
Para além disso, sobre Carlos Costa a melhor palavra de reconhecimento é aquela que tenho ouvido da boca de diversos empresários do nosso setor. Finalmente, podemos dormir descansados porque independentemente dos erros que nunca deixarão de existir, temos a convicção de que o sistema bancário é transparente e credível.
A coragem de Carlos Costa tem a enorme virtualidade de devolver a confiança aos cidadãos em geral e aos empresários em particular. Sabemos que quem tutela e fiscaliza a atividade bancária no país não só está atento ao que se passa como revela determinação para intervir no sentido de corrigir os erros que deteta.
O Governador Carlos Costa, ao longo do tempo que leva de exercício de funções, conseguiu igualmente demonstrar ao povo português que é um verdadeiro pilar da estabilidade.
E finalmente, como o seu passado fazia adivinhar, Carlos Costa tem reiterado no seu cargo atual uma competência profissional verdadeiramente ímpar.
Não temos pois quaisquer dúvidas de que com o atual Governador do Banco de Portugal, a supervisão da atividade bancária está confiada a alguém que é sério, competente e corajoso.
Talvez muitos políticos portugueses tenham dificuldade em entender isso, mas a verdade é que um regulador financeiro com aquelas características é seguramente um catalisador do empreendedorismo e da atividade empresarial.
Quanto ao Ministro da Economia, de igual modo a melhor palavra de apreço pelo seu trabalho é aquela que vou ouvindo a alguns dos meus pares. Finalmente, regressou ao governo alguém que conhece as empresas e se preocupa verdadeiramente com a atividade empresarial.
Num governo como o presente, subordinado a uma verdadeira ditadura dos critérios e interesses do Ministério das Finanças, António Pires de Lima procura centrar a sua ação na identificação dos problemas que afetam as empresas.
Como já tenho ouvido a muitos, António Pires de Lima é acima de tudo o ministro das empresas.
Para além disso, é também um homem sério, competente e corajoso. E é alguém que já deu provas no passado de uma rara competência profissional no domínio da gestão e da política.
Num momento de crise como aquele que vivemos atualmente, não se espera de um Ministro da Economia que consiga inventar soluções mágicas ou milagrosas para os muitos problemas com que nos confrontamos.
Mais do que isso, queremos alguém que nos transmita confiança e que seja advogado das nossas causas mais importantes. E quando isso acontece, a nossa confiança enquanto empresários é indiscutivelmente muito maior.
Atravessamos, sem quaisquer dúvidas, um dos mais complicados períodos da nossa história recente. Temos a consciência de que os obstáculos que se colocam às empresas são por isso muito difíceis de transpor. Mas apesar de tudo a angústia é seguramente muito menor quando sabemos que podemos contar em lugares chave da economia e da sociedade portuguesa com pessoas como Carlos Costa e António Pires de Lima.
Pelo que aqui fica, antes deste período de férias e também de reflexão, a nossa mensagem de esperança e de confiança.
Aníbal Campos
Presidente da Direção da AIMMAP"