terça-feira, 29 de setembro de 2015

METAL PORTUGAL - uma marca global

Os valores do crescimento dos negócios internacionais do setor metalúrgico e metalomecânico correspondem a um esforço notável das empresas e dos empresários na procura da excelência e da qualidade em todos os mercados. Estes valores do setor são essenciais para o mundo global pelo que o aparecimento da marca METAL PORTUGAL é a consequência e causa de orgulho para um setor que quer continuar a crescer sustentada e continuadamente.

A diversidade do setor consegue unir-se nesta marca e permite olhar para o futuro com boas perspetivas. Isto mesmo pode ler-se nas reflexões de Aníbal Campos sobre o tema no seu editorial do METAL deste mês que pode ler aqui


"METAL PORTUGAL

O setor metalúrgico e metalomecânico tem respondido de forma assertiva aos desafios e às exigências da sobrevivência e do crescimento, apostando continuadamente na qualidade e inovação dos seus produtos e serviços, investindo no reforço da sua capacidade produtiva – aliás, em completo contraciclo económico! – e assumindo-se como o setor industrial mais exportador do país.
Este orgulho genuíno e legítimo que sentimos pelo contributo que demos para o desígnio nacional do aumento das exportações – o sector cresceu 30% entre 2010 e 2014, atingindo o valor de 13,8 mil milhões de euros nesse ano – aumenta a nossa responsabilidade e dá-nos alento para continuarmos este caminho de forma sustentada.
Um caminho que definimos em equipa e em conjunto com os nossos empresários e associados, alicerçado em 3 linhas fundamentais e que foram essenciais para os resultados alcançados:
- a inovação dos produtos e serviços, como base de todo o nosso trabalho e projeção;
- a internacionalização das nossas operações, como um imperativo de crescimento e sustentabilidade;
- e a formação dos empresários e colaboradores, como pilar do conhecimento e enriquecimento das competências fundamentais a todo o processo de conquista de mais e melhores mercados.
Hoje somos assim um setor mais preparado, com empresas ainda mais dinâmicas e com uma perspetiva sólida de crescimento.
Permitam-me destacar que este caminho foi feito num setor de enorme dimensão e que é de uma diversidade tão vasta e heterogénea que a muitos surpreende e que à primeira vista poderia fragilizar.
Um setor que trabalha simultaneamente as cutelarias e a louça metálica, as máquinas e equipamentos, as estruturas metálicas, o equipamento de transporte no automóvel, no ferroviário ou na aeronáutica e as peças técnicas de elevada precisão e engenharia, é um setor com uma força gigantesca mas também com algumas especificidades.
Soubemos interpretar a força do setor, o peso das empresas na economia e na sociedade e demos-lhe a união necessária para que a visão de conjunto, apesar da diversidade, nunca saísse abalada.
O metal que nos une foi pois a “liga” essencial para termos dimensão, arranjarmos soluções comuns e de forte impacto – veja-se por exemplo a compra de energia em grupo, os projetos conjuntos de internacionalização ou o “Clube da Subcontratação industrial” – numa lógica associativa eficaz, que infelizmente, vai sendo rara no nosso Portugal.
Das agulhas às gruas, das panelas às facas, das peças técnicas às máquinas, pretendemos continuar a ser a indústria das indústrias, em Portugal, na Europa, no mundo.
A marca METAL PORTUGAL, que recentemente apresentámos, representa assim um setor forte e robusto e contribui para projetá-lo a um patamar superior de perceção de qualidade, de inovação constante e de visão de futuro.
Esta é uma marca global que reflete o significado do metal português e o seu posicionamento, uma marca que ajuda a comunicar e a promover, uma marca que é a síntese do setor e que está omnipresente nas nossas vidas, em Portugal e no mundo.
Lançada e apresentada publicamente esta nossa marca, queremos agora dar um novo passo no sentido de a mesma adquirir uma projeção universal.
Para esse efeito, é fundamental que as nossas empresas sintam a marca como sua e a utilizem no seu dia-a-dia.
Estamos agora a contactar as nossas empresas associadas nesse sentido.
Esperamos que a marca passe a ser uma ferramenta permanentemente utilizada pelas nossas empresas na sua comunicação com o exterior.
Estamos convictos de que todas as empresas que o fizerem estarão a contribuir de forma decisiva para o reforço e a coesão do sector metalúrgico e metalomecânico em Portugal.
Os serviços da AIMMAP estarão totalmente disponíveis para ajudar as nossas empresas nesse processo.
Aníbal Campos
Presidente da Direção da AIMMAP"

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Exportações sobre rodas. E sobre carris?

As exportações portuguesas têm como principal destino a Europa e o sector mais exportador, metalurgia e metalomecânica reflecte esta tendência. Cerca de 70% das exportações têm como destino a Europa, sendo a via rodoviária, uma das suas principais formas de transporte, relegando a via ferroviária para patamares secundários, apesar da sua relevância.

Vendo o investimento que os nossos vizinhos mais próximos, Espanha e França, estão a fazer nas infra-estruturas ferroviárias, Aníbal Campos manifesta a sua enorme preocupação pelo não ajustamento nacional à bitola europeia com consequências graves com as quais ninguém aparenta estar preocupado. Veja a reflexão do Presidente da AIMMAP relativamente a este tema crítico para o país, aqui.

"A premência do transporte ferroviário

Tal como é sabido, a grande maioria das exportações nacionais tem como principais destinos os mercados europeus.
Naturalmente, o transporte dos bens e produtos exportados para tais destinos é efetuado predominantemente por via rodoviária.
E mesmo nos casos de exportações para outros destinos mais longínquos, o transporte rodoviário acaba sempre por ter um papel decisivo. Com efeito, considerando algumas limitações dos portos nacionais, muitas das nossas exportações por via marítima são enviadas a partir de Roterdão, Hamburgo ou Antuérpia – o que implica um segmento prévio de transporte terrestre desde Portugal até àqueles portos europeus.
Acresce ao exposto que, até ao momento, para as exportações das empresas portuguesas o transporte ferroviário não consegue ser alternativa efetiva ao rodoviário.
Ora, é naturalmente um forte motivo de inquietação para as empresas exportadoras que os responsáveis políticos portugueses nada estejam a fazer no sentido de que essa alternativa venha a ser uma realidade.
E chega a suscitar perplexidade que não se esteja a ter atenção ao que França e Espanha se preparam para fazer nesse âmbito, com eventuais consequências altamente negativas para os legítimos interesses das empresas nacionais.
Com efeito, presentemente, a Espanha está a investir fortemente no sentido de adaptar a sua rede ferroviária à bitola europeia. Dessa forma, como é óbvio, os nossos vizinhos ficarão ligados ao resto da Europa por via ferroviária.
Portugal, por seu turno, decidiu não efetuar quaisquer investimentos nesse domínio nos próximos anos. Pelo que, não irá ajustar a sua rede ferroviária à bitola europeia.
Por si só, essa inércia portuguesa determina que Portugal ficará ainda mais isolado em termos ferroviários. O que implicará que esse tipo de transporte continuará a não ser alternativa para o escoamento dos nossos produtos em direção aos nossos mercados fundamentais.
Por si só, isto seria grave para a nossa economia. Mas infelizmente, o cenário em termos globais é ainda mais preocupante.
Na verdade, a Espanha já anunciou também que, a curto prazo, será proibida a circulação de camiões nas estradas do País Basco.
De igual modo, as autoridades francesas preparam-se para, também a curto prazo, impedir o tráfego de veículos pesados nas estradas do sul do país.
Se, conforme se prevê, tais impedimentos vierem a concretizar-se, chegaremos rapidamente a um ponto em que os camiões que tradicionalmente transportam as mercadorias portuguesas vão deixar de poder circular em Espanha e França.
Pelo que ficaremos confrontados com uma realidade muito preocupante em que o transporte ferroviário não existe e o transporte rodoviário passa a ser impedido. Ou seja: a oferta portuguesa ficará verdadeiramente estrangulada.
Não podemos aceitar que o governo e a oposição continuem entretidos em guerras paroquiais e não sejam capazes de pensar estrategicamente o futuro da economia nacional.
É urgente que o poder político desperte definitivamente para o que realmente interessa ao país. Será assim tão difícil entender isto?
Aníbal Campos
Presidente da Direção da AIMMAP"

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Exportações: diversificar para consolidar e crescer

Com um registo imparável no primeiro quadrimestre de 2015, as exportações do setor metalúrgico e metalomecânico continuam a crescer de forma consolidada e evidenciando que 70% do seu volume tem como destino o mercado europeu. Aníbal Campos, no seu editorial do Metal assume o desafio do setor para os próximos 10 anos: crescer para outros mercados igualmente exigentes e interessantes de modo a que a dependência da união europeia não seja tão expressiva. Não porque o projeto europeu possa estar em causa mas porque a globalização está aqui ao lado. Veja esta reflexão no editorial do Metal aqui

"Precisamos de diversificar os destinos das nossas exportações

O desempenho das exportações do setor metalúrgico e metalomecânico ao longo dos últimos anos tem sido absolutamente extraordinário.
Com um enorme orgulho por aquilo que tem sido feito nesse âmbito pelas empresas deste setor, a AIMMAP não se tem cansado de enfatizar os bons resultados, estimular as boas práticas e disseminar os bons exemplos.
As nossas empresas, os nossos empresários e os nossos trabalhadores estão de parabéns por uma trajetória verdadeiramente exemplar.
Em conjunto tivemos a arte de transformar as dificuldades em oportunidades. E conforme uma vez mais se evidencia em trabalho publicado na presente edição do Metal, já não existem quaisquer dúvidas de que o crescimento das exportações deste setor é uma realidade absolutamente consolidada.
No primeiro quadrimestre de 2015, o valor global das exportações ultrapassou ligeiramente os 5.000 milhões de euros, um número sem paralelo desde que há registos e que representa um aumento de quase 15% em comparação com o mesmo período de tempo no ano anterior.
A evidência de tais números justifica que o momento seja de celebração. Mas ao mesmo tempo confere-nos a responsabilidade de fazer ainda melhor.
Na verdade, quando analisamos os notáveis números das nossas exportações, não podemos deixar de reconhecer que uma significativa maioria das nossas vendas tem como destino os restantes países da União Europeia.
Esses nossos parceiros do projeto de construção europeia absorvem um pouco mais de 70% daquilo que exportamos.
Este número relativo é apesar de tudo melhor do que aquele que se registava há 3 anos, momento em que ascendia a quase 80%.
Mas quando comparamos tais dados com as performances dos nossos concorrentes europeus, somos obrigados a concluir que nos encontramos mais dependentes do que eles dos humores da economia europeia.
Países como a Bélgica, a Áustria ou a Dinamarca – já para não falar de uma potência como a Alemanha -, encontram-se muito menos expostos ao mercado europeu, pelo menos no que ao setor metalúrgico e metalomecânico diz respeito.
Em todos os casos atrás citados, as exportações para fora da União Europeia ultrapassam a fasquia dos 50%. E é esse o caminho para o qual teremos de evoluir.
Há duas razões essenciais para que assim deva suceder. Por um lado porque, conforme já atrás sugerido, é conveniente que as nossas empresas não se encontrem tão dependentes de um só mercado. E por outro lado porque, em muitos casos, as margens de crescimento nesse nosso mercado de eleição começam a ficar cada vez mais apertadas.
Este parece ser pois o tempo certo para sabermos antecipar o futuro. O momento em que podemos concluir que as nossas estratégias de internacionalização deram certo e estão a gerar frutos, é também o momento ideal para um reajustamento de uma estratégia vencedora mas que não pode cristalizar-se sob pena de vir definhar.
Esta é assim a oportunidade para investirmos ainda mais na internacionalização das nossas empresas. Teremos de procurar novos mercados. Teremos de procurar encontrar novos parceiros. Teremos de procurar implementar novos modelos de negócio. E teremos também de nos adaptar melhor às necessidades de milhões de consumidores à escala global.
Precisamos de ser ainda mais empenhados e competentes. E precisamos também de ser ainda mais criativos e inovadores.
Não tenho dúvidas de que este é o grande desafio que teremos de vencer nos próximos 10 anos. Estou certo de que uma vez mais saberemos triunfar. Mas é indispensável que trabalhemos cada vez mais nesse sentido. Até porque, como é sabido, é em nós e só em nós que poderemos encontrar forças para concretizar os nossos objetivos. Para isso não há governo que nos valha, tenha ele a composição que tiver.
Aníbal Campos
Presidente da Direção da AIMMAP "

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Fiscalidade “própria para consumo”

Nos últimos anos, a receita fiscal tem aumentado significativamente em virtude, por um lado do aumento da carga fiscal essencialmente no IRS e no IVA, e por outro, por uma maior eficácia - que se deve louvar - na cobrança de impostos.

Embora lamente que aparentemente a única forma de combate ao défice tenha passado apenas pelo aumento de impostos, Aníbal Campos, no seu editorial do METAL deste mês, lembra que nem todos os excessos devem ser permitidos, como o têm sido até agora, pela máquina fiscal.

E dá o exemplo inaceitável dos trabalhadores do fisco serem remunerados com o produto das cobranças coercivas. Tome nota da reflexão do Presidente da AIMMAP aqui.


"A máquina fiscal

É inequívoco que a receita fiscal tem aumentado significativamente ao longo dos últimos anos.
Como é sabido igualmente, esse crescimento resulta basicamente de dois fatores.
Em primeiro lugar de um aumento da carga fiscal imposta aos contribuintes em geral, sendo aliás certo que, desde o IRS ao IVA, passando ainda pelos impostos sobre os combustíveis, a subida tem sido generalizada.
Por outro lado, da enorme eficácia que a cobrança fiscal veio a adquirir.
Quanto ao primeiro fator, lamento que ao fim de tantos anos de intervenção da troika em Portugal, não tenha sido ainda possível conceber formas de combate ao défice que não passem por aumentar os impostos. E é mesmo verdadeiramente incongruente que um governo que muitas vezes se ufanou das suas credenciais liberais continue a tratar do problema do desequilíbrio das contas públicas com aumentos da receita em detrimento de cortes na despesa. Um governo alegadamente liberal que se sente confortável com impostos elevados e que ainda por cima se mostra incapaz de reduzir o peso do Estado na economia é sem quaisquer dúvidas uma verdadeira originalidade ideológica.
Devo confessar em todo o caso que, nas linhas que agora partilho com os leitores, gostaria especialmente de fazer incidir a atenção no segundo fator a que atrás aludo. Ou seja, na eficácia da cobrança fiscal.
Ora, a esse respeito, naturalmente que é vital para a democracia e para a economia de mercado que todos se sintam obrigados a pagar os seus impostos. Nesse pressuposto, é fundamental que ninguém possa sentir-se impune. Que todos sintam que a máquina de cobrança é eficaz face aos relapsos.
Dito isto, não posso todavia deixar de lamentar que a máquina fiscal tenha ela própria assumido uma postura de quase impunidade.
Todos os dias somos confrontados com notícias a respeito dos excessos da máquina fiscal. Inspeções arbitrárias, execuções não fundamentadas e penhoras verdadeiramente despropositadas. E a verdade é que a máquina fiscal se tornou num verdadeiro monstro que se autoalimenta e ninguém parece ser capaz de controlar minimamente.
É verdade que ninguém deseja uma administração fiscal instrumentalizada pelo poder político. Mas não é menos grave que o poder político se mostre incapaz de sequer proteger os direitos mais básicos dos contribuintes quando aquela os atropela.
Dir-me-ão que essa função de limitar os excessos do fisco é competência do poder judicial. E eu não tenho quaisquer dúvidas em acompanhar tal afirmação. Porém, todos estamos conscientes de que os timings da justiça são na maioria das vezes insuficientes para fazer valer os direitos e até a dignidade dos cidadãos e dos contribuintes em geral.
Em muitíssimas ocasiões os tribunais só podem intervir quando os danos são já irreversíveis. Pelo que a sua intervenção, na prática, acaba por ser insuficiente.
Impõe-se assim, cada vez mais, que seja o poder político a conter os excessos e a prepotência da máquina fiscal, balizando-a nos limites da ética e da legalidade
O governo e a Assembleia da República têm a obrigação de proteger os direitos dos cidadãos. E não podem transigir com práticas que os ponham em causa. Tão-pouco podem ser responsáveis ou cúmplices de medidas que potenciem a voracidade da máquina.
É por exemplo inaceitável que os trabalhadores do fisco sejam remunerados com o produto das cobranças coercivas de processos de execução fiscal. Mas infelizmente, é precisamente isso que vai suceder, pois como é sabido os trabalhadores dos impostos vão receber 5% do montante daquelas cobranças.
Isto não faz sentido nenhum. Em primeiro lugar por uma questão ética, pois a verdade é que esse sistema remuneratório é construído com base numa perspetiva de ilegalidade. Em rigor, quanto maior for o número de ilícitos fiscais maior será a remuneração dos trabalhadores do fisco. O que é uma absoluta perversão.
Em segundo lugar, porque um sistema dessa natureza estimula os excessos da cobrança fiscal e acaba mesmo por potenciar inúmeras injustiças. A tentação de instaurar execuções infundadas se já é, sem esses incentivos, muitas vezes difícil de controlar, correrá o risco de se tornar incontrolável se os incentivos existirem.
Há que colocar urgentemente um travão a estes desmandos. Queremos contribuir para a resolução dos problemas que afetam as contas públicas do país. Queremos também uma administração fiscal diligente e eficaz. Mas não podemos aceitar esta espécie de rolo compressor, que ignora os direitos dos contribuintes, desrespeita a legalidade e chega a negligenciar a dignidade dos cidadãos. Porque quando se aceitar que os meios podem ser impunemente sacrificados pelos fins, é a própria democracia que estará em perigo.  
Aníbal Campos
Presidente da Direção da AIMMAP"

terça-feira, 5 de maio de 2015

Metal Portugal – dar forma ao futuro da indústria

O lançamento da marca Metal Portugal obedeceu a uma reflexão e à concretização de uma estratégia para o futuro da indústria metalúrgica e metalomecânica.

A preocupação de unir a diversidade do setor numa imagem que juntasse num único conceito a qualidade, a inovação e a globalização dos produtos e serviços de uma indústria que trabalha cutelarias e a louça metálica, as máquinas e equipamentos, as estruturas metálicas, o equipamento de transporte no automóvel, no ferroviário ou na aeronáutica e as peças técnicas de elevada precisão e engenharia, foi um desafio, julgamos, superado.

Aníbal Campos, no editorial do METAL deste mês enfatiza a necessidade de prosseguir com todos o trabalho de promoção e afirmação do setor em Portugal e no mundo. Veja aqui a pensamento do Presidente da AIMMAP.

"METAL PORTUGAL – Uma marca e um conceito para o mundo

Como todos os associados e a comunidade empresarial sabem, a AIMMAP lançou no dia 15 de abril a marca METAL PORTUGAL.
O aparecimento de uma marca é sempre um momento importante para quem coordena um trabalho deste tipo.
Mas mais do que falar da METAL PORTUGAL, interessa-me aqui explicar o que esteve por trás desta iniciativa e quais deverão ser os próximos passos de modo a potenciar todo este investimento, inteiramente realizado pela AIMMAP.
Como referi na sessão de apresentação na Alfândega do Porto, um setor que trabalha simultaneamente as cutelarias e a louça metálica, as máquinas e equipamentos, as estruturas metálicas, o equipamento de transporte no automóvel, no ferroviário ou na aeronáutica e as peças técnicas de elevada precisão e engenharia, é um setor com uma força gigantesca mas também com algumas especificidades.
A AIMMAP tem vindo a investir estrategicamente e de forma continuada na promoção do setor. E nessa lógica, soube interpretar a sua força, o peso das empresas na economia e na sociedade e entendeu dar-lhe a união necessária para que a visão de conjunto, apesar da diversidade, saísse reforçada e associada ao que une esta diversidade.
Surgiu assim a marca METAL PORTUGAL que pretende corporizar toda a estratégia de reconhecimento do setor, unindo-o na sua diversidade e heterogeneidade.
Uma marca que visa reforçar o caminho de crescimento e perceção global da indústria metalúrgica e metalomecânica portuguesa, como setor de inovação, time to market e player totalmente global.
Uma marca que representa um setor forte e robusto e contribui para o projetar a um patamar superior de perceção de qualidade, inovação constante e de visão de futuro.
Uma marca que pode ser dita e interpretada nos idiomas mais relevantes da europa, pois diz-se exatamente da mesma forma em português, inglês, espanhol, francês e alemão.
Ao juntarmos a marca ao conceito, “damos forma ao futuro”, pretende-se mostrar o significado do metal português e o seu posicionamento, uma marca que ajuda a comunicar e a promover, uma marca que é a síntese do setor e que está omnipresente nas vidas dos cidadãos, em Portugal e no mundo.
O passado dia 15 de abril foi o primeiro dia de um grande desafio que a AIMMAP abraçou no sentido de contribuir para o crescimento estratégico e sustentado do setor e da sua imagem.
Queremos sempre colaborar no enriquecimento das empresas e dos nossos associados. Sabemos que este crescimento também vai passar por este conceito e por esta imagem e dinamismo. Isto só faz sentido com a participação e com a união dos esforços de todos, para seguirmos com este trajeto de reconhecimento global que a todos interessa, desde logo ao país.
Os próximos passos serão decisivos para dar forma ao futuro. Juntem-se a nós na METAL PORTUGAL.
Aníbal Campos
Presidente da Direção"


sexta-feira, 27 de março de 2015

Comércio internacional na Europa: barreiras artificiais…reais

Numa altura em que as exportações em geral e as do setor metalúrgico e metalomecânico em particular, são o motor do crescimento do país, crescem na Europa medidas protecionistas que serão graves para a nossa competitividade.

Se as condições concorrenciais das empresas portuguesas já são penalizadas em questões como o acesso ao financiamento ou os custos energéticos, introduzir meios de distorcer o mercado de transportes, como os que estão a ser inseridos na Alemanha, França ou Bélgica, é contrário ao espírito Europeu e à conceção de mercado único. Está na altura dos responsáveis nacionais acordarem para estas injustiças e atuarem em conformidade. Leia o editorial de Aníbal Campos no METAL para concretizar o que está em causa para as empresas, aqui 

"Barreiras artificiais no interior da Europa

A criação de um mercado único europeu, sem fronteiras entre os países, é muito justamente encarada como uma das grandes virtudes de uma Europa unida.
Durante anos, considerando a menor competitividade das empresas portuguesas, estivemos condenados a encarar esse benefício de estarmos integrados num mercado único gigantesco como uma esperança de futuro.
Na verdade, durante décadas o saldo comercial de Portugal com a generalidade dos seus parceiros europeus foi recorrentemente deficitário. E as nossas importações suplantaram sistematicamente as nossas vendas para os restantes países europeus.
Não obstante, ao contrário do que frequentemente sucede em Portugal, as nossas empresas prepararam-se com perseverança e paciência para a inversão desse saldo.
Apesar de sérias distorções na concorrência, apesar de o acesso ao financiamento ser mais caro do que aquele que empresas com balanços idênticos suportam e apesar de custos de energia superiores, as empresas portuguesas foram fazendo o seu caminho e modernizaram-se profundamente, no sentido de passarem a competir com maior robustez com as suas congéneres europeias no interior do mercado único.
Esse trabalho de formiga está finalmente a dar frutos. E não obstante todas aquelas dificuldades atrás elencadas, atualmente muitas das nossas empresas já concorrem de igual para igual com as melhores empresas dos restantes países da União.
Infelizmente, ao que parece, chegámos tarde. Na verdade, no momento em que imaginaríamos poder entrar numa era superavitária suscetível de compensar décadas de défices persistentes, e precisamente numa altura em que as instâncias europeias anunciam medidas agregadoras da Europa, começam a ser adotadas por diversos países da União novas medidas restritivas da concorrência livre e sã. Ou seja, alguns países europeus estão implementar mecanismos legais que se consubstanciam em verdadeiras barreiras artificiais à circulação de mercadorias entre os países que constituem a União Europeia.
Vários são os exemplos que poderia aqui citar nesse âmbito para ilustrar o meu ponto. Mas para não maçar os leitores cingir-me-ei por agora às medidas aplicadas ao transporte rodoviário em França, Bélgica e Alemanha.
Trata-se de medidas que afetam claramente a competitividade da indústria nacional e que procurarei identificar de forma sintética para alerta aos nossos associados.
Ora, o transporte rodoviário é o principal canal através do qual as nossas empresas fazem escoar os seus produtos para os restantes países europeus.
Pelo que quaisquer medidas que tenham como consequência o aumento dos seus custos de transporte, retiram competitividade à oferta portuguesa.
Infelizmente, foi precisamente isso que a Bélgica, a França e a Alemanha fizeram recentemente, com efeitos a partir do passado dia 1 de janeiro.
No caso concreto da Bélgica e da França, passou a ser proibido aos condutores de transporte rodoviário cumprirem o seu período de descanso semanal a bordo dos veículos, ainda que os mesmos possuam todas as condições adequadas para o efeito.
Assim sendo, os motoristas passam a ser obrigados a pernoitar em hotéis. Passam a ser obrigados a aparcar os camiões em parques pagos. Passam a ser obrigados a fazer desvios de rota e a efetuarem mais quilómetros. E em consequência do agravamento dos perigos de roubo dos camiões, os custos de seguro suportados pelas empresas transportadoras são aumentados.
Tudo isto aumenta seriamente os custos de transporte, os quais são naturalmente repercutidos nas empresas exportadoras.
Já no que se refere à Alemanha, passa a ser obrigatoriamente pago aos motoristas de veículos de empresas domiciliadas noutros países o salário hora aplicável naquele país.
Tal obrigatoriedade ocorre inclusivamente em situações de simples travessia do país e nas quais o destino seja outro membro da União. Naturalmente, essa medida vai implicar um aumento dos custos salariais das empresas de transportes sempre que os seus condutores circulem pela Alemanha. E acresce que a arquitetura da medida em causa implicará uma panóplia de obrigações burocráticas que agravam os custos administrativos das entidades empregadoras dos motoristas.
Tal como na situação anterior, também todos esses custos serão repercutidos nas empresas exportadoras.
Estima-se que por via dessas medidas os custos de transporte irão aumentar entre 5% e 10% na Bélgica e em França e entre 2% e 4% na Alemanha.
Eventualmente mais grave ainda, teme-se que outros países venham a adotar disposições semelhantes, o que exponenciará aquele aumento dos custos.
Trata-se aqui de medidas altamente protecionistas e que provocam distorção na concorrência, consubstanciando a criação de barreiras artificiais ao livre comércio e violando os princípios fundadores da Europa unida. E como é evidente penalizam muito acentuadamente a competitividade das exportações de países particularmente periféricos como é o caso de Portugal.
É urgente que os governos de estados membros como Portugal se insurjam de forma veemente contra estas práticas. E quando muitos responsáveis europeus se penitenciam por eventualmente terem sujeitado o nosso país a humilhações desnecessárias durante os últimos anos, o momento atual seria o mais propício para começarmos a exigir sermos finalmente tratados com justiça e equidade.
Para além disso, é absolutamente vital que o Estado português defina de uma vez por todas uma política de transportes integrada, articulando e criando sinergias entre o transporte rodoviário, o transporte ferroviário e o transporte marítimo. É certo que também nesse âmbito será preciso enfrentar poderes instalados e combater barreiras artificiais. Mas também é verdade que sem coragem não se conseguirá ir a lado nenhum.
Aníbal Campos
Presidente da Direção da AIMMAP"





terça-feira, 3 de março de 2015

Financiar quem quer investir

Foi anunciado o programa do Banco Central Europeu para injetar liquidez nas economias europeias, o Quantative Easing.

Independentemente da bondade da medida, do ponto de vista de Portugal e das empresas nacionais, este programa só terá efeitos reais se estiver conjugado com a redução da burocracia, da carga fiscal e do melhoramento dos mecanismos de acesso aos fundos estruturais. E se juntarmos a isto uma melhor perceção da banca relativamente ao risco de investimento das empresas, então sim, poderemos ter esperança de que os euros do BCE cheguem à economia real.
Estas são parte das reflexões do Presidente Aníbal Campos que a todos convidamos a ler no editorial do Metal de fevereiro aqui.

"Fazer chegar o dinheiro à economia
O Banco Central Europeu anunciou recentemente o Quantitative Easing Europeu, um programa há muito tempo ansiosamente aguardado e através do qual aquele banco central pretende injetar dinheiro nas economias europeias.
Concretamente, o BCE irá proceder à compra de dívida pública aos países da zona Euro, num montante total que se estima ascender a 500.000 milhões de euros.
Este programa poderá ter efeitos positivos importantes na gestão da dívida dos estados, sendo ainda possível que, pelo menos indiretamente, possa vir a ter impacto em algumas economias europeias.
Mas se não for acompanhado de outras medidas estruturantes, será muito difícil que venha a cumprir os efeitos que os mais otimistas lhe estão a atribuir.
Ora, é verdade que a compra de dívida pública poderá ter o efeito de estabilizar os custos de gestão da dívida dos estados, o que naturalmente será positivo.
É também certo que, pelo menos conceptualmente, os custos de financiamento das economias europeias serão reduzidos – o que se acolhe igualmente com satisfação.
E finalmente, também se admite como plausível um efeito indireto positivo nas empresas exportadoras, as quais se tornarão mais competitivas nos mercados globais em resultado da inevitável depreciação do euro.
Não obstante, é muito duvidoso que, se nada mais for feito, os montantes injetados em cada país pelo BCE cheguem efetivamente às empresas. Pelo contrário, existe o risco bem real de que o dinheiro fique aprisionado no setor financeiro.
Com efeito, independentemente desta medida que agora será implementada pelo BCE, o setor financeiro não tem hoje em dia quaisquer problemas de liquidez. Pelo contrário, a generalidade dos bancos tem muito dinheiro disponível para injetar na economia.
Nesse quadro, se os bancos não emprestam dinheiro às empresas, isso não decorre de falta de liquidez mas sim em resultado de uma perceção de risco quase alarmista. Os bancos não concedem crédito porque têm medo de investir numa economia que a seu ver permanece instável e muito frágil.
Assim sendo, se é certo que já atualmente têm excesso de liquidez e ainda assim são altamente restritivos na concessão de crédito, não será seguramente por passarem a ter mais dinheiro disponível que mudarão as suas políticas nesse âmbito.
É pois fundamental que cada Estado Membro beneficiário deste programa implementado pelo BCE faça também o seu trabalho de casa e tome a iniciativa de criar mecanismos que facilitem a transferência do dinheiro do sistema financeiro para a economia real.
Nesse contexto, no que concerne ao estado português, é indispensável em primeiro lugar que sejam implementadas medidas de promoção do investimento, nomeadamente através da redução da burocracia, do alívio da carga fiscal e da agilização dos mecanismos de acesso aos fundos que serão disponibilizados no próximo quadro comunitário de apoio. 
Por outro lado, é essencial que sejam desencadeadas medidas que estimulem uma maior flexibilização dos critérios observados pela banca portuguesa na concessão de crédito. E nesse âmbito, o estado português deverá desempenhar um papel fundamental através da Caixa Geral de Depósitos e fundamentalmente da futura Instituição Financeira de Desenvolvimento – vulgarmente designada como Banco do Fomento.
Quanto a nós estes serão dois eixos decisivos para que as boas intenções do BCE se traduzam em verdadeiros estímulos à economia portuguesa.
Pelo que, a nosso ver igualmente, é fundamental que sejam levados em boa conta pelo governo português. E se o governo não os subscrever, ficaremos a aguardar que nos explique as suas razões.
Mas independentemente disso, urge fazer alguma coisa de eficiente neste âmbito, pois se o dinheiro não chegar efetivamente à economia, este programa do BCE será para o país exatamente o mesmo do que chover no molhado.
Aníbal Campos
Presidente da Direção da AIMMAP"